quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Depois de ler a Isto É das últimas 2 semanas:

Hope is the thing with feathers
That perches in the soul.
And sings the tune
Without the words,
and never stops at all.

Emily Dickinson

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

O acordar ...
Cheiros, sons, lugares, ruas, imagens fazem parte de quem somos. Cheiros de parillada, do mar... Sons de carros velhos, de ônibus caindo os pedaços, do vento por entre as folhagens de ruas ladeadas por árvores que escondem o céu, da língua de minha infância... Ruas por onde andei quando criança, imagens de túneis de folhagens como uma passagem misteriosa que levava e leva ao sonho. Tudo isso estive relembrando semana passada ao perambular pelas ruas e ramblas de Montevidéu.
Acoplado ao passeio pela cidade, acordando lembranças gostosas, também estive na companhia de pessoas queridas - primos, tias e tio - que mantiveram uma ligação forte de família. Todos os anos, os da Inglaterra, fugindo do frio vem acordar memórias em Montevidéu. Eu, do Brasil, me junto a eles e os de Montevidéu nos abrigam e proporcionam o espaço para o reencontro anual de convívio e risadas gostosas.
O exercício do relembrar, o sonhar acordado, o acordar para quem sou e como cheguei aqui está muito bem espelhado pelo Miguel Torga em:
Lírica
No meu jardim aberto ao sol da vida,
Faltavas tu, humana flor da infância
Que não tive....
E o que revive
Agora À volta da candura
Do teu rosto!
O recuado Agosto
Em que nasci
Parece o recomeço
Doutro destino:
Este, de ser menino
Ao pé de ti......