sábado, 31 de março de 2007

Como cheguei aqui... (2)


Foi assim que em 1962 comecei a lecionar inglês. Com a minha irmã, criamos uma escola infantil para o ensino de inglês. Trabalhamos por intuição e por memória. Ao mesmo tempo, fui convidada para lecionar inglês numa escola particular, o que fiz por dois anos, também por intuição e memória. Coitados dos alunos!!!!! Também, foi nesse período, de 1962 a 1967, que comecei a conhecer a organização escolar pelo lado do professor. Sem qualificação, possível naquela época, começou minha trajetória como professora pela prática, escorada pela memória dos meus anos de aluna em três países diferentes e em escolas com óticas diferentes. A minha prática era plena de interrogações, que provavelmente foram o oxigênio do meu conhecimento ainda a ser construído. Junto com as minhas interrogações eu tinha certezas, baseadas na minha imaturidade e inexperiência, que, aos poucos, foram se desfazendo e sendo substituídas pelas incertezas e interrogações incentivadas pela minha curiosidade inata. Foi neste momento que, embora muito insipidamente, começou-se a construção de minha capacidade de reflexão e auto-reflexão. Nunca é tarde pra começar! Better late than never!!

Em 1968-69, fui trabalhar no Yázigi. Éramos treinados nos cursos livres de línguas para usar o material deles. Não precisávamos pensar, mas o conhecimento é a navegação em um oceano de incertezas, entre arquipélagos de certezas e a única certeza que eu tinha lá no final dos anos 60 e início dos anos 70 era de que algo não estava como devia estar. O resultado disso era que eu não gostava de ser professora, mas sem qualificação eu não tinha outra solução. Nesse mesmo período, conheci meu marido, namorei, noivei e casei, deslumbradamente mulherzinha, embora head over heels in love e passei a ser esposa e mãe, abandonando a docência na escola. Mergulhei de cabeça e de coração no meu casamento na arte de ser mulher e mãe. Fui criada especificamente pra isso. Foram anos de aprendizagem prazeroso e difícil...

Começou uma fase nova na minha vida pessoal e profissional, pois não abandonei o ensino por total e ao ter marido e filhos comecei a aprender com quantos paus se fazia uma canoa! O que significava ser mulher e mãe... Dei-me conta que eu não estava sozinha neste mundo... Mantive as minhas aulas particulares e passei a me envolver com os meus filhos em número de quatro. Dois meninos e duas meninas, minhas paixões e meus melhores amigos. Foram oito anos bons de muito amor, amizade, companheirismo e produção!! Produtos desse amor são Derek, Jennifer, Caroline e Richard. Por que nomes em inglês? Meu marido era brasileiro, mas o ‘inglês’ na minha vida falou mais alto... Imaturidade? Alienação? Certamente.

Quando meus filhos estavam na escola, curiosa sempre, intrigava-me que o falar leigo era de que português era muito difícil. Meu interesse provavelmente originava-se na minha experiência de desenvolvimento das minhas línguas maternas – inglês e espanhol – em que nunca houve um elemento de dificuldade. A lembrança de trabalhos e provas é de leitura, compreensão e escrita. Entretanto, tive que entender a estrutura de uma língua que, a essa altura, eu usava fluentemente, embora com alguns desvios da norma, mas que nunca tinha estudado, para poder ajudar os meus filhos. Esse foi o primeiro momento na minha vida em que comecei a entender por que as pessoas diziam não gostar de ‘língua portuguesa’. Primeiro, é mister esclarecer que eram as aulas de L.P. o que desagradava as pessoas e não sua língua materna. Segundo, língua portuguesa para elas era a gramática da língua, que embora necessária, considerando que língua é gramática, era abordada como algo estático, estrutural e não como o elemento vivo e dinâmico que nos move no desenvolvimento como pessoas. O belo da língua não era trabalhado. O objetivo maior de trabalhar com a língua – o desenvolvimento humano – não era explorado.

Foi neste período – 1977-1980 – que eu constatei que eu não ensinava inglês, e sim treinava os meus alunos particulares a passarem nas provas. Provas essas completamente estruturais e, mais sério, absolutamente descontextualizadas e desprovidas de sentido. Passei, como num passe de mágica, de uma professora reconhecida, embora ainda sem qualificação específica e sem gostar muito do que fazia, para uma pessoa muito confusa.

Este fato mudou a minha vida.

Continua...

sexta-feira, 30 de março de 2007

Como cheguei aqui... (1)


CONSTRUINDO UMA IDENTIDADE

“Um homem se propõe a tarefa de esboçar o mundo. Ao longo dos anos povoa um espaço com imagens de províncias, de remos, de montanhas, de balas, de naves, de ilhas, de peixes, de habitações, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer, descobre que esse paciente labirinto traça a imagem do seu rosto.”
Jorge Luís Borges


As palavras de Borges demonstram de maneira ímpar a construção de uma identidade. A minha vida foi povoada por minha família, por países, cidades, culturas diferentes, pessoas, idéias, escolas, aulas, alunos e muitos sonhos. A curiosidade e a vontade de aprender têm entremeado esse caminho na construção da minha identidade de professora e pessoa.

Nasci e vivi minha primeira infância em Montevidéu (Uruguai), em uma família inglesa misturado com escocês. Com cinco anos fui à escola, um colégio britânico, bilíngüe. Fui alfabetizada nas duas línguas - inglês e espanhol – concomitantemente, ambas minhas línguas maternas. Convivi com duas culturas. Sempre falamos inglês em casa e ao viver no Uruguai, estava imersa nessa cultura. Lembro-me de muito pouco daquela época. As coisas que ficam são lembranças de diferenças culturais em atividades como aniversários, horários e alimentação entre a minha vida e a dos meus primos, com a vida dos vizinhos, dos meus amigos, dos meus colegas.

Com dez anos vim morar no Brasil. Lembro-me de ter chegado a Pelotas em um sábado e ter ido para o colégio na segunda. Senti-me um peixe fora d’água, lembro como se fosse hoje. Não conhecia ninguém, não entendia ninguém e não era entendida por ninguém. Foi uma experiência assustadora, mas logo passamos a nos entender, considerando que a interação que se estabeleceu levou à aquisição do português em pouco tempo.

Estive dois anos na escola em Pelotas, ambos na quinta série. Desse período, o que mais me lembro é a diferença de metodologia nas aulas com aquilo a que eu estava acostumada. Primeiro foi o tratamento formal, com o qual eu não estava acostumada. Aqui lembro perfeitamente da minha surpresa quando a professora me chamou de “senhora”. Isso foi algo que ficou muito marcado e que, mais tarde conclui ser a diferença entre o português e o inglês – era uma questão de língua e não tanto de formalidade.

Outra diferença se verificava na metodologia de ensino. Aqui havia muita leitura de textos sobre o conteúdo e questionários intermináveis que tínhamos que memorizar para as provas. Na escola britânica, no Uruguai, eu havia sido acostumada com um “prosear” na sala de aula, como diz Rubem Alves, com contação de histórias, muita leitura e expressão das minhas idéias, seja por escrito, oralmente ou por desenho.

Ser aprovada aqui era algo que alcançava com muita dificuldade, por duas razões básicas: português era língua estrangeira naquele momento e o fato de ter que memorizar conceitos que eu não havia entendido. Além disso, meus pais já haviam planejado meu futuro, o que implicava em ir a uma outra escola britânica, desta vez em Buenos Aires, na Argentina, e não deram muita importância para meu fracasso escolar. Fiz muitos amigos neste período, lembro-me dos piqueniques escolares, mas não lembro do nome dos meus professores.

Dos doze aos dezesseis anos passei na Argentina em uma escola inglesa, vindo pra casa nas férias, e me formei no ensino médio em inglês. Desse período tenho muitas lembranças: as discussões intermináveis sobre obras literárias, o aprender a escrever de maneira coesa e coerente, as histórias de vida que nossa professora da Bulgária nos contava, o esporte (tênis, hockey, volley, natação), que nos ensinou a pensar no outro e a como perder, as aulas de francês que nos ensinavam a falar e escrever em francês, enfim, os ensinamentos sobre a vida.

Quando terminei o ensino médio e voltei para Pelotas, informei aos meus pais que eu não queria continuar estudando. Meu pai aceitou, mas impôs uma condição: “então vais trabalhar.” Sempre fomos responsabilizados por nossas decisões.

Continua ...

quinta-feira, 29 de março de 2007

Este post é ensaio da UDI para nós...


Auroras
Verissimo

Em inglês há uma expressão bonita para dar-se conta, ter uma revelação, entender. 'It dawned on me.' Amanheceu em mim. Descreve o sentimento de subitamente ver com clareza o que antes era obscuro como uma aurora interior. Idéias amanhecem dentro de nós. Os olhos de uma pessoa se iluminarem quando ela tem uma percepção nova não é um clichê literário, é a luz deste alvorecer saindo pelos olhos. Não sei se existe expressão parecida em outras línguas, mas ela deveria ser universal. Afinal, sua origem é a experiência mais comum da humanidade desde que ela viu sua primeira aurora, a do sol afastando as trevas, a da noite dando lugar ao dia e à sua maior dádiva, que é a de nos permitir enxergar.

O resto do texto vc encontrará aqui:
(...) Estadão de hoje http://www.estado.com.br/editorias/2007/03/29/cad-1.93.2.20070329.106.1.xml?

quarta-feira, 28 de março de 2007

Viceversa

Tengo miedo de verte
necesidad de verte
esperanza de verte
desazones de verte.
Tengo ganas de hallarte
preocupación de hallarte
certidumbre de hallarte
pobres dudas de hallarte.
Tengo urgencia de oírte
alegría de oírte
buena suerte de oírte
y temores de oírte.
o sea,
resumiendo
estoy jodido
y radiante
quizá más lo primero
que lo segundo
y también
viceversa.

By Mario Benedetti
http://www.avantel.net/~eoropesa/html/poesia/mbenedetti1.html#mbenedetti_1

Outro tipo de mulher nua

Recebi isto hoje e gostei... Compartilhando...

Depois da invenção do photoshop, até a mais insignificante das criaturas
vira uma deusa, basta uns retoquezinhos, aqui e ali.
Nunca vi tanta mulher nua.
Os sites da internet renovam semanalmente seu estoque de gatas vertiginosas.
O que não falta é candidata para tirar a roupa. Dá uma grana boa.
E o namorado apóia, o pai fica orgulhoso, a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam, então pudor pra quê? Não sei se os homens estão radiantes com esta multiplicação de peitos e bundas. Infelizes não devem estar, mas duvido que algo que se tornou tão banal ainda enfeitice os que têm mais de 14 anos.
Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade...emocionalmente. Nudez pode ter um significado diferente e muito mais intenso. É assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história. É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.
Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos. Aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humanas, e não bonecas de porcelana.
Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais.
Pouco tempo atrás, posar nua ainda era uma excentricidade das artistas, lembro que esperava-se com ansiedade a revista que traria um ensaio de Dina Sfat,por exemplo - pra citar uma mulher que sempre teve mais o que mostrar além do próprio corpo.
Mas agora não há mais charme nem suspense, estamos na era das mulheres coisificadas, que posam nuas porque consideram um degrau na carreira. Até é. Na maioria das vezes, rumo à decadência. Escadas servem para descer também.
Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior. Mas é o que devemos continuar fazendo. Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro. Não conheço strip-tease mais sedutor.

terça-feira, 27 de março de 2007



Adoro cozinhar com vinho. As vezes até ponho na comida...

Camões 2


Camões é um ícone da literatura mundial. Como Shakespeare, um precursor da análise humana. Um poeta de rara beleza que nos emociona. Prometi publicar o poema todo lá no post sobre o vestibular. Aqui está para se deliciarem e para pensarmos um pouco mais sobre o que ele está dizendo...

Amor é um Fogo que Arde sem se Ver
Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

segunda-feira, 26 de março de 2007

Criatividade...



Adoro aluno criativo! Certa vez, uma aluna minha estava fazendo seu pré-estágio numa 8ª série. Levou uma tira do Hagar para aula para desenvolver leitura e compreensão. Após a leitura e compreensão, ela pediu aos alunos, que estavam em grupos de 4, para criarem uma história em quadrinhos. Ela, sem o mínimo senso de humor, me mostrou brava o que os meninos haviam escrito. Eu caí na gargalhada, o que não a deixou muito feliz!!!! Eis a história dos meninos:

[Não tenho os desenhos que fizeram...]
(...) championship of sword and one of the participants, base on idea of see who is better. (Contextualização da história :-) )

"Kill one fly. The first participant cath (=catch= pegou) the sword and cut the fly two parts and give (=deu) in the fly, but the fly out flie her body. Think he missed, but yes: "capado" the fly. But the bag of the fly fall in the soup of the king."

Se precisarem de tradução gritem que eu ajudo. Estes 4 meninos contaram uma história. Em vez de ficar brava (1ª reação dela) com eles, a estagiária, orientada por mim, elogiou os alunos e trabalhou com o texto deles para melhorarem o inglês. Não é genial? :-) É de aluno assim que precisamos...

Camões...

Eu já corrigi provas de vestibular por muitos anos e é inacreditável o que se vê... Mas queremos alunos como este:

Vestibular da Universidade da Bahia cobrou dos candidatos a interpretação do seguinte trecho de poema de Camões:

"Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer".

Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação:
"Ah! Camões, se vivesses hoje em dia,
tomavas uns antipiréticos,
uns quantos analgésicose
Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
consultavas a internete
descobririas que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo!"

Ganhou nota dez. Foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era falta de mulher...

Reflexões de uma manhã de segunda...


Tudo fica mais fácil com a prática - exceto levantar de manhã!

domingo, 25 de março de 2007

Formaturas...
Uma palavra tão insossa, tão impessoal... E no entanto, um momento tão cheio de significado. Ontem de noite estive em uma janta de uma turma de formandos de futuros professores de inglês como língua estrangeira, da qual, com imensa alegria, sou homenageada. O brilho nos olhos, a alegria estampada no rosto por causa de mais essa etapa vencida em uma vida que está recém começando me emociona.

Tem pessoas que não gostam de cerimônias protocolares de formaturas, achando-as ridículas. Mas não são. Só o são para aqueles que não enxergam o coração das pessoas. Especialmente neste país, em que para muitas famílias, ver o filho ou a filha subindo ao palco para receber o diploma de graduação é o auge de um desafio vencido e a promessa de uma vida melhor(embora sabemos pode não ser). Ver as lágrimas escorrendo desavergonhadamente pelo rosto de pais e mães nesses momentos é ou foi para mim (enquanto Pró-Reitora de Graduação presidindo estas cerimônias) uma benção.

Ontem à noite, o olhar de felicidade dos meus alunos, reforça o prazer imenso que sempre tive em ser professora de um curso de formação de professores e o desafio de fazer com que cada um deles se desse conta da importância da carreira que escolheram. Da beleza de ser responsável pelo desenvolvimento da leitura do texto, do mundo, do eu, do outro, enfim... o objetivo maior de sermos professores de línguas e literaturas. A conseqüência da qual brota a capacidade de se expressar com paixão sobre a vida. O desafio de poder ver crianças e adolescentes FELIZES na escola, afinal, um período de no mínimo 11 anos de suas vidas preciosas, uma escola diferente, desafiadora, reflexiva, produtiva - um espaço de ações compartilhadas no rumo da construção de identidades e caminhos.

Agora é com eles e seja o que Deus quiser e o Diabo permitir!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sábado, 24 de março de 2007

Reflexões de um sábado de manhã...

O que queremos da vida? Uma boa resposta seria:

Mas não esqueçam, quando estamos perdidos, tristes e com medo:

Still Here
I been scared and battered.
My hopes the wind done scattered.
Snow has friz me,
Sun has baked me,

Looks like between 'em they done
Tried to make me

Stop laughin', stop lovin', stop livin'--
But I don't care!
I'm still here!

Langston Hughes

sexta-feira, 23 de março de 2007

Música... Dançar...


Acabo de ver de novo "Dirty Dancing 2 Noites de Havana"... Música e dançar é algo que me move... Peguem seus parceiros e à dança ao som de Perfídia...

http://www.ufpel.edu.br/~anne.moor/Perfidia.wma

quarta-feira, 21 de março de 2007

Estou inqüieta...


Amor não exigente

É sublime amar assim,
sem poder se ver.
É o amor manifesto
com outra expressão.
É sublime amar assim,
sem nada querer.
Talvez seja esta
uma legítima afeição.

Não nos pertencemos
e no entanto, nos temos.
Nada esperamos
e se esperamos, sofremos.
Mas, lá no cerne
do quanto nos queremos,
sobrevive a tênue esperança
de que ainda nos veremos.

São longínquas esperanças,
remotos anseios ...
mas não temos vivido
destes devaneios?
Quando o amor é grande
a gente não esquece.
Os ânimos se altercam,
a chama arrefece,
parece que vai morrer
e de repente aquece.
É que o "coração tem razões,
que a própria razão desconhece."

by Fátima Irene Pinto

Reflexões após um jogo de tênis...

Hoje, jogando uma partidinha de tênis no fim da tarde, deparei-me com o fenômeno do não saber perder!!! Uma de nossas parceira, enquanto perde fica de cara fechada e vai ficando mais brava a cada minuto!! Se está ganhando ri, brinca e a cara dela fica irradiando felicidade... Que coisa mais estranha e triste. Afinal jogamos para fazer exercício e nos divertir no fim do dia. Se ela não está ganhando deixa de ser um momento relaxante, prazeroso e divertido pra ela.

O não saber perder no esporte mostra como as pessoas lidam com a vida ou não lidam!!

Early Morning

I like to take the morning unawares,
before the dew has dried upon the grass,
to quietly think about the day ahead,
and what may come to pass.

For nothing is too hard for me, I find,
once I have thought about it quietly.
The early morning freshness of the dew
helps clear the mind,
helps clear the heart,
for me.

by Karen E. René

terça-feira, 20 de março de 2007


Thinking ...

Todo mundo é um perfeito idiota por um mínimo de 5 minutos a cada dia. Sabedoria consiste em não exceder o limite.

(Faço minhas as palavras de um tal Elbert Hubbard...)

segunda-feira, 19 de março de 2007




Eu nem mesmo era... até que...
Meu filho menor, Richard, me convidou para ir numa trilha de jipe com ele... Foi um fim de semana fantástico - frio, vento, sol, céu azulllllllllll, e muiiiiiiiiiiito barro. Voltei com a alma leve e as sobrancelhas tapadas de barro!!!! Sou eu sim... cabelo curto, mais gorda... com ele. O único senão do passeio foi que ele não me deixou dirigir... :-(

BUSCA
Em minhas águas,
quero nadar
e afundar
todo o meu eu.

Em meu lá dentro,
quero encontrar-me
e encarar-me
tal como sou.

Em minha nudez,
quero ouvir-me
e apagar
mágoas e dores.

Em minha alegria
de ver-me em vida,
quero alçar-me
e alcançar-me.

Em meu não ser,
quero rever-me
e refazer
e ser, enfim.

Em meu não posso,
quero-me força,
alicerçando-me
e construindo

Em meu não devo,
quero o direito
de questionar
como e por quê.

Em minha fome,
quero o cardápio
e o escolher,
toda apetite.

Em minha busca,
lanterna acesa,
quero encarar-me,
reconhecer-me.

Em meu encontro,
todo o espanto
de ver que eu
nem mesmo era.

Hilma Ranauro

domingo, 18 de março de 2007


Adoro este poema da Emily Dickinson... Espero que gostem tbm...
I'm Nobody! Who are you?

I'M Nobody! Who are you?
Are you--Nobody--too?
Then there's a pair of us!
Dont tell! they'd advertise--you know!

How dreary--to be--Somebody!
How public--like a Frog--
To tell your name--the livelong June--
To an admiring Bog!

Emily Dickinson (1858)

Ave Maria do Peão


Passeando pelos pagos do Assertiva, vi que o Ernesto deixou um convite para virem tomar chimarrão comigo... Sejam bem vindos... Acessem o endereço abaixo:

sábado, 17 de março de 2007




Serenata (Cecília Meireles)


"... Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo ... "

Figura: pub44.bravenet.com

sexta-feira, 16 de março de 2007

quinta-feira, 15 de março de 2007


Inspirada pelo poema sobre a blogosfera do Flávio e da complementação coletiva..., também adoro um bom choppinho, uma taça de vinho, um bloody Mary ou uma boa caipirinha e um olhar expressivo, um toque físico... enfim... estar junto. Mas o que é 'estar junto'? Podemos estar no fusca do Ernesto e estar a porrilhões de quilômetros um do outro... Aprendi neste ciberespaço intrigante que podemos estar muito 'juntos', tão juntos ou mais (o que continua a me surpreender) do que pessoas convivendo presencial e cotidianamente. "Mas a distância, ai, a distância..." provoca, é ao mesmo tempo maravilhoso e altamente frustrante e nos dá o privilégio de conhecer mais a fundo as pessoas!! O poema da Zuleica aponta pra isso...

segunda-feira, 12 de março de 2007


Elsa e Fred

Na esteira do poema que Flávio postou na minha postagem anterior, e do que eu respondi... uma dica providencial para uma segunda de manhã. Vejam o filme 'Elsa e Fred'. Como nada é por acaso, vi hoje de manhã. Simmmmmmmm, hoje de manhã. :-) Ri um monte e chorei outro tanto. Filme maravilhoso. Hoje, ao sair do trabalho passem no vídeo e peguem pra ver.
Beijos ternurentos a todos.

sábado, 10 de março de 2007

Reflexões de uma noite de sábado...
Diminua a marcha e curta a vida. Não é apenas a vista que se perde ao andar muito rápido – também perde-se o sentido de onde se vai e porquê. (Eddie Cantor – 1892-1964)

sexta-feira, 9 de março de 2007

Faces

Quando és anjo,
te sinto terno,
todo carinho.
A voz é mansa,
o olho paira doce
sobre mim.
Quando gritas,
capeta,
o gesto é grande,
te agitas.
Apertas o meu pescoço,
judias de mim.
Quando os dois se fundem,
bem e mal,
açoite e flor,
acontece o amor.

(Arthur do Amaral Gurgel)

quinta-feira, 8 de março de 2007


Sentada aqui pensando em diversas coisas lembrei-me de uma história:

Um prêmio deveria ser oferecido à atendente da United Airlines em Denver por ser tão rápida e engraçada, e manter sua posicionamento quando confrontada por um passageiro que provavelmente merecesse voar como carga. Um vôo lotado da United foi cancelado. Uma única atendente estava acomodando uma fila longa de viajantes prejudicados. De repente um passageiro bravo furou a fila e veio ao balcão. Jogou sua passagem no balcão e disse: "EU TENHO que estar neste vôo e tem de ser PRIMEIRA CLASSE." A atendente respondeu: "Sinto muito senhor. Terei prazer em ajudá-lo, mas tenho de ajudar estas pessoas primeiro, e tenho certeza que resolveremos tudo." O passageiro não ficou impressionado. Perguntou em voz bem alta, para que os passageiros atrás dele o pudessem ouvir, “Você tem alguma idéia de quem eu sou?" Sem hesitar, a atendente sorriu e pegou seu microfone. "Podem me dar sua atenção por favor?" ela começou, sua voz ecoando pelo terminal. "Temos um passageiro aqui no balcão QUE NÃO SABE QUEM É. Se alguém pode ajudá-lo encontrar sua identidade, por favor dirija-se ao balcão da United." Com as pessoas atrás dele às gargalhadas, o homem olhou furioso à atendente da United e xingou entre os dentes, "F*** you." Sem pestanejar, ela sorriu e disse: "Sinto muito senhor, mas você terá que entrar na fila para isso também."

Figura: www.blonnet.com

"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata."

Clarice Lispector
http://www.geocities.com/Paris/Concorde/9366/index1.htm
Figura: www.theory-of-evolution.net

quarta-feira, 7 de março de 2007

Não sei poetar. A Angela Bretas poeta e diz o que eu gostaria de dizer sobre ser mulher... Um poema lindo para compartilhar com vcs.

Mulher Abstrata
Sou quem sou, simplesmente mulher, não fujo, nem nego,
Corro risco, atropelo perigo, avanço o sinal, ignoro avisos,
Procuro viver, sem medo, sem pudor, com calor, aconchego,
Supro carências, rego desejos, desabrocho em risos...
Matéria cobiçada... na tez macia, no calor ardente.
Alma pura, envolta na completa fissura. Sem frescuras!
Encontro prazer na forma completa, repleta, latente...
Meretriz sem pudor, mulher no ponto... uva madura!
Sou quadro abstrato, me entrego no ato à paixão que aflora.
Sou enigma permanente, sem ponto final, sem continências,
Sou mulher tão somente, vivendo o momento, sorvendo as horas.
Sou pétala recolhida, sem forma, sem cor, completa em essência.
Exalo a esperança, transpiro vontades. Não me tenhas senhora.
Sou mulher insolúvel, nada volúvel. Vivo a vida em reticências...

terça-feira, 6 de março de 2007


O poder do pinto 2
© Anne M. Moor


Meio da manhã, distraída corrigindo provas quando toca o telefone. Atendo.
- Hi Sis! Estou te ligando para te contar algo que certamente vais adorar!
Minha irmã é avó de 3 crianças lindas, à época com 7, 3 e 2 anos.
- Conta... Sou toda ouvidos, disse eu, já rindo, pois as histórias de minha irmã geralmente são hilárias.
- Ontem o Sebastião (3 anos) e a Serafina (2 anos) estavam brigando por alguma razão enquanto eu sentava junto com eles distraída. De repente o Sebastião olhou fixamente para a Serafina com cara de brabo, sacudiu o dedinho gordo no nariz dela e disse:
– Você não tem pinto! Você tem perereca, mas eu não to vennnnnnnnnnnnnnnndo!
– Hahahahahahah rimos as duas.
– De onde ele tirou isso? perguntei eu, já começando a parar de rir.
Afinal a criança tinha 3 anos...
De repente parei de rir e me deu vontade de chorar e me botei a pensar...
– Estás aí, indagou minha irmã toda sorridente, pareces ter sumido!
– Nãoooooooo sumi não... Estou aqui pasma.
– Pasma com quê? Não achaste graça?
– Achei, disse eu, pensativa... Mas, por acaso paraste para ouvir o que ele disse?

Deixo aqui para vocês LEREM as entrelinhas do que ele disse, uma criança de 3 anos. Conto esta história aqui por algo que foi detonado pelo artigo na Assertiva de hoje. Aliás, o Ernesto tem o dom de fazer com que nossos neurônios saiam disparando enlouquecidos pra toda parte! O peso e a força da sociedade, da qual muitas vezes não conseguimos nos libertar nos fazem pensar ... À época escrevi uma crônica (Por isso “O poder do pinto 2) que não acho agora e a minha amiga Graça, nova blogueira (Sonhar e Voar) ficou de escrever “O sumiço da perereca”... Escreveste?



Respeito
© Anne M. Moor


Certo dia, ao entrar na sala de aula de um curso de formação de professores deparo-me, mais uma vez, com a falta de respeito próprio e pelo outro. Parei, fiquei a olhar, tentei entender ... e o que entendi era que eu, como professora tinha que fazer algo, afinal era um curso de formação.

Alunos universitários estão ainda em formação, muitos sem ter tido nenhuma experiência com o mundo profissional. Outros tantos já trabalham. Infelizmente, uma enorme porção da academia pensa que ensinar é fazer monólogos extremamente chatos para “transferir” o seu conhecimento brilhante aos alunos. Ora, ninguém é nem esponja e nem antena para ‘captar’ nada! Não é assim que se aprende. Aprender é construir (desculpem o chavão) conhecimento a partir da informação disponível, fazer relações, inferências, conexões com o conhecimento já adquirido, levantar hipóteses, enfim, refletir e criar. Não é como a maioria dos mestres pensam: "Eu ensinei, portanto tu aprendeste." Saber não é uma questão de acumular informações, mas, a habilidade de criar baseado nas conexões e gerenciamento de interações. Como diz a minha amiga Vera Menezes, o papel do professor é bagunçar com a zona de estabilidade e provocar o caos que resulta em uma zona de criatividade, onde pequenas mudanças podem ocorrer, criando efeitos significativos no processo de aprender. Mas além disso, o professor tem a obrigação e o dever de ensinar os seus alunos a raciocinar, a se respeitarem e a respeitar o outro.

A cena em pauta com a qual me defrontei foi meninas com calças (de ginástica) esturnicadamente apertadas, cinturas baixas – é moda eu sei e também era quando eu tinha 17 anos – mas quando digo ‘baixas’ hoje é mal acima da linha dos pentelhos (desculpem-me), barrigas e/ou barriguinhas dependuradas por cima do cós da calça ... Blusas coladas ao corpo, curtas, fazendo com que a área pelada fosse maior e as gorduras mais aparentes. Não satisfeitas, o decote mostra o colo magnificamente, cena linda de se ver em roupas da noite. Um lindo vestido com um decote até o umbigo é roupa para sair de noite. Ou no lugar das calças, mini-saias mínimas. Os meninos com calças caindo para a linha dos pentelhos também e com o rego da bunda de fora, barbudos, atirados nas cadeiras como se tivessem na praia...

Nem comecei a aula. Sentei-me, dei boa tarde e abri uma discussão sobre as roupas que um professor pode e deve usar para o seu recinto de trabalho. As caras de espanto, divertimento, deboche e quando se deram conta que eu não estava brincando, de reflexão (alguns, nem todos) foi cômico. Embora aqui não eram só as mulheres, elas são a maioria neste curso e volto ao tema iniciado pelo Ernesto lá no Assertiva – respeito por elas – e acrescento – respeito por elas a elas mesmas. Se as mulheres brasileiras são consideradas putas e fáceis, elas têm muita culpa nisso (não me joguem ovo podre) – não se respeitam e não se fazem respeitar, são as primeiras a falar das outras sem se olharem no espelho!!!

Não somos minoria não Ernesto – concordo – mas fomos criadas para sermos submissas ao homem, e a força da história e da sociedade é pesadíssima, aliás eu diria inacreditável. Eu sempre fui, como tu, politicamente incorreta, talvez pela minha criação circulando em três culturas diferentes ou pelos meus genes que me fizeram assim – consta meu pai que desde pequena I had a mind of my own – mas o certo é que tu tens razão quando dizes que nós mulheres precisamos nos unir, não para abanar sutiens na rua, mas para nos fazermos respeitar como pessoas. Somos pessoas antes de sermos mulheres, mães e esposas / companheiras, e, portanto, iguais aos homens, respeitando as devidas especificidades.

segunda-feira, 5 de março de 2007

domingo, 4 de março de 2007

As vezes, a solidão nos pega pela güela e apeeeeeeeeeeeeeeeeerta... Shit!!!!
Serenata (Cecília Meireles)

"... Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo ... "

sábado, 3 de março de 2007




Hoje, enquanto distraidamente 'vendo' TV, a tardinha... uma preguiça gostosa, fui rudemente acordada com uma notícia absurda. Talvez devesse dizer "mais" uma notícia do descalábrio das pessoas que se dão o direito de julgar outras pessoas sem o menor conhecimento da situação!!
Já começa pela ignorância da imprensa que vem a público falar de um "rapaz surdo mudo"! Os surdos são pessoas iguais aos ouvintes sem o sentido da audição apenas. Não são mudos. Emitem sons sim. Apenas não falam oralmente por que não ouvem...

Entretanto, falam na sua língua materna - Língua Brasileira de Sinais / LIBRAS - que é uma língua como outra qualquer. É um sistema complexo, sistemático com suas próprias regras, como uma língua falada.

Voltando à notícia absurda... Um rapaz surdo foi a um mercadinho, comprou uma bebida achocolatada, pagou e saiu tomando o que havia comprado. Um imbecil que estava no recinto alertou a moça no caixa, que chamou o dono, que ela havia escapado de um assalto pois o rapaz fazia gestos de quem a ia assaltar e desistiu por ter mais pessoas presentes! Ora, Santo Deus... Será que tem gente tão prepotente, ignorante e ... que não sabem que os surdos têm uma língua materna própria e que é uma língua visual e gestual, acontecendo a comunicação com as mãos (os gestos a que o idiota se referia)? O pior desta história, é que este rapaz está preso por causa da ignorância das pessoas, sendo completamente inocente. Até quando as pessoas vão continuar ignorando que existe um número astronômico de surdos neste país, que estão sendo excluídos dos seus espaços de direito e sendo constantemente desrespeitados?

LIBRAS é direito dos surdos e dever dos ouvintes brasileiros, especialmente todas aquelas pessoas que lidam com o povo. Assim como Língua Portuguesa como segunda língua é, também, direito e dever dos surdos.

Uma segunda língua ou uma língua estrangeira é adquirida calcada em um sistema lingüístico existente - língua materna - o que significa dizer que para aprender uma outra língua é necessário que se tenha uma língua materna adquirida. Sei que existe uma enorme polêmica neste país e no mundo sobre a aprendizagem de LIBRAS (ou a sinalização) por surdos nascidos em famílias ouvintes, mas a ciência nos dá essa resposta...

Aprendam LIBRAS e participem com os surdos da luta por seu espaço na sociedade.

Mar aberto
© Anne M. Moor

Mar aberto ...
paz e tumulto ao mesmo tempo.
Variação de cores -
verde, azul, marron,
com ou sem colarinho
batendo nas areias
ao alcance dos pés.
Cheiros... de paz, de nostalgia, de prazer...
Friozinho na boca do estômago
ao ver a vida
nas ondas do mar...

sexta-feira, 2 de março de 2007


Afinidade
"Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois. A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido. Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento. Não é sentir nem sentir contra... Nem sentir para... Nem sentir por.... Nem sentir pelo. Afinidade é sentir com. Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando falar, jamais explicar: apenas afirmar. Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas. Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida."
Artur da Távola.

quinta-feira, 1 de março de 2007

DONNA MI PRIEGA 88

se amor é troca ou entrega louca
discutem os sábios entre os pequenos
e os grandes lábios

no primeiro caso onde começa o acaso
e onde acaba o propósito se tudo o que fazemos
é menos que amor mas ainda não é ódio?

a tese segunda evapora em pergunta
que entrega é tão louca que toda espera é pouca?
qual dos cindo mil sentidos está livre de mal-entendidos?
Paulo Leminski