quarta-feira, 30 de maio de 2007

Mais Fernando Pessoa...


A Pálida Luz da Manhã

A pálida luz da manhã de Inverno
O cais e a razão
Não dão mais esperança, nem uma esperança sequer,
Ao meu coração.
O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou não.

No rumor do cais do rio
Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem um vazio sequer,
Para o meu esperar.
O que não tem que não ser
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar.

Sim, tudo é certo logo que o não seja,
Amar, teimar, verificar, descrer –
Quem me dera um sossego á beira-ser
Como o que à beira-mar o olhar deseja.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Fernando Pessoa também sabia das coisas ...

O Amor, Quando Se Revela ...

O amor, quando se revela...
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p' ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar ..

O Trapezista

Me deixo cair do alto,
não chego nunca no chão...
E nunca perco a esperança
de um dia não ser em vão...

by Paulo Hecker Filho)

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Reflexões no final de uma noite gélida... (6°C)

Poesia é a perfeição da alma,
elevação de pensamentos, profundidade
de sensações, delicadeza de palavras, luz, fogo, música interior...

(Juan Montalvo)

sábado, 26 de maio de 2007

Mariza Tavares sabe das coisas...


Eu sei quando corro perigo.
É quando convido
provoco
desafio
instigo
incito
estimulo
espicaço
faço pirraça.
E não me controlo
nem sou razoável.
É quando estou viva.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Conversas de sala de aula

Inspirada pelo penúltimo post do Assertiva:

Professor: Maria, nomeia uma coisa importante que temos hoje e que não existia há 10 anos.
Maria: Eu.

Professor: João, como se chama uma pessoa que continua falando quando ninguém mais está interessado?
João: Um professor.

Como vcs sabem, sou ferrênea defensora dos professores que merecem ser chamados de professor... E quem é esse professor que eu defendo?

Vários amigos estavam sentados a volta da mesa do jantar discutindo a vida. Um dos homens decidiu explicar o problema da educação. Ele dizia, "O que uma criança vai aprender de alguém que decidiu que sua melhor opção na vida era ser professor?"
Lembrou aos outros convidados o que se diz sobre os professores:
"Aqueles que sabem, fazem. Aqueles que não sabem, ensinam."
Para sublinhar seu ponto ele se virou para uma convidada e disse: "Você é uma professora, Bonnie. Seja honesta. O que você faz? O que você ganha?"
Bonnie, que tinha uma reputação de ser honesta e franca respondeu, "Você quer saber o que faço?” (Ela fez uma pausa de um segundo, e então começou...)
"Bem, eu faço as crianças trabalharem mais do que elas pensaram ser possível.
Eu consigo que as crianças fiquem em uma sala de aula por 40 minutos quando seus pais não conseguem que eles fiquem quietos por 5 minutos sem um I Pod, um Jogo ou um filme de vídeo...
"Você quer saber o que faço?” (Ela fez outra pausa e olhou para cada pessoa a mesa)
Eu faço as crianças pensarem.
Eu as ensino a questionar.
Eu as ensino a criticar.
Eu as ensino a pedir desculpas sinceramente.
Eu as ensino a ter respeito e a assumir a responsabilidade por seus atos.
Eu as ensino a escrever e as faço escrever.
Eu as faço ler, ler, ler.
Eu faço com que meus alunos de outros países aprendam tudo que precisam de inglês enquanto preservam sua identidade cultural singular.
Eu faço da minha sala de aula um lugar onde os alunos se sentem seguros.
Por fim, eu os faço entender que se eles usam os dons que lhes foram dados, trabalham muito e seguem seus corações, eles podem ter sucesso na vida.
(Bonnie fez uma última pausa e continuou.) "Assim, quando as pessoas tentam me julgar por aquilo que faço, posso manter minha cabeça erguida e não dar ouvidos a eles, por que essas pessoas são ignorantes... Você quer saber o que eu faço e o que ganho?”
EU FAÇO UMA DIFERENÇA. E você, o que faz?"

Autor desconhecido, mas que demonstra o prazer que dá ser professor, trabalhar com crianças e adolescentes e contribuir para a educação de um país. O que se ganha financeiramente é um absurdo e uma vergonha, entretanto, nada paga o brilho nos olhos de alunos curiosos que estão descobrindo a vida!

The day after...


A autêntica riqueza da experiência humana perderia parte de sua alegria se não existissem limitações a superar. O cume da colina não teria nem metade de sua maravilha se não houvesse vales obscuros para atravessar.

(Halina Boulez)

quinta-feira, 24 de maio de 2007


vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

Paulo Leminski

Friiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiio...


Noite de Frio
Bruno G. Fonseca

Era noite, e fazia frio,
era um frio de viva-alma.

Era noite, e fazia frio,
era um frio de viva-dormência.

Era noite, e fazia frio,
era um frio de viva-dor.

Era noite, e fazia frio,
era um frio de viva-vida-própria.

Era noite, e fazia frio,
e o frio... o frio; me fazia vivo.

http://www.poesiaformada.blogger.com.br/

quarta-feira, 23 de maio de 2007

A vida é tão rara (Lenine)


Quando a vida lhe der limões, peça tequila e sal e me convide!! E tome pra si um lema que prime pelo viver com prazer e muito amor... Afinal...
A vida não deveria ser uma viagem ao túmulo com a intenção de chegar em segurança em um corpo bonito e bem preservado, senão entrar patinando de lado na cova, chocolate em uma mão, vinho na outra, o corpo inteiramente esgotado, totalmente gasto e gritando “Uauuuuuuuu que viagem!”
Para acompanhar a reflexão um somzinho bão ... (Não sei pq, mas está demorando um pouco pra tocar a música... Como diz a música... Paciência... que aparece.)

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Histórias de uma caminhada...


Idas e vindas

Anos 60, 70... 2007... Tanta coisa já foi e veio nesse tempo... Tantas coisas boas e tantas outras ruins. Dessas últimas não quero lembrar. Quero recordar as boas, as que nos trazem um calorzinho gostoso no peito... As que nos fazem rir... As que fazem surgir um olhar longínquo cheio de nostalgia...

Viagens que fizemos para encurtar a distância entre o novo e o velho. Experiências nas estradas do Rio Grande do Sul e do Uruguai. Estou aqui sorrindo ao lembrar das estradas. Nem as poderíamos chamar de estradas se comparadas com as vias de hoje. Acho que é dessa época que nasceu meu gosto por aventuras, por trilhas de jipe, por coisas fora do comum.

Uma viagem a Montevidéu levava dezoito horas se tudo corresse bem de ônibus e trem. Eu tinha um tio que era CEO na ferrovia uruguaia, que era, por sua vez, uma empresa inglesa. Muito engraçado, contava inúmeras histórias que adorávamos. Uma era de que ao estar viajando num trem era preciso prestar atenção a algumas coisinhas. Dizia ele:
— Se o trem parar e o maquinista sair correndo pelo fundo do trem, levantem e saiam correndo atrás.

Uma vez, minha mãe e eu viajávamos para Montevidéu. Saímos de Pelotas no ônibus das cinco da manhã em direção a Jaguarão, naquela época quatro horas de viagem em estrada de terra. Pegamos o trem – el ferrocarril – que saía da ponte entre Jaguarão e Rio Branco ao meio dia. Viajamos algumas horas e o condutor passou pelos vagões gritando:
— Transbalde en Nicoperes! Transbalde en Nicoperes!

O trem parou e todo mundo desceu e saiu correndo para pegar lugar no outro trem. Mais parecia uma manada tentando acertar a porteira do curral! Tendo conseguido subir no trem, sentamos no último vagão. Era um trem belíssimo, daqueles antigos, ingleses com bancos de couro. A viagem continuou com aquele balanço característico dos trens da época. Dormi.

Deveríamos ter chegado a Montevidéu às vinte horas. Às vinte e uma e trinta, mais ou menos, após ter passado em uma estação SEM parar, o trem subitamente parou no meio do nada. Acordei. Olhamos uma para a outra, espiávamos pela janela sem enxergar nada, quando de repente eis que surge o maquinista correndo pelo trem e saiu para os trilhos desaparecendo na noite! Eu perguntei pra minha mãe:
— E agora, o que fazemos? Vamos sair correndo atrás dele?

Eu era criança e minha mãe me olhou e disse, caracteristicamente,:
— Não sejas ridícula!
Fiquei na minha, mas minha cabeça fantasiando! Dentro de uns dez minutos voltou o maquinista ainda correndo, com o aro de sinalização no braço.

Ao passar na estação, ele havia esquecido de pegar o aro de sinalização que lhe dizia que a via estava aberta para nós!! O maior azar dele não foi ter passado na estação esquecendo do aro, mas foi o fato de que carregava como passageiras no trem a cunhada e a sobrinha do CEO, que soube, por nós, exatamente o que havia acontecido.

Certamente, a história contada pelo maquinista não foi a mesma. O que será que aconteceu com o maquinista?

© Anne M. Moor - 2007

Reflexões...

Palavras ε Momentos



Palavras... dizem,
são espelhos da alma,
dardos certeiros,
companheiras ou inimigas.
Felicidade ou mágoa...

Momentos, por sua vez,
surgem do nada ou das palavras?
Passam,
ora abrindo horizontes,
ora trazendo o bréu...

© Anne M. Moor - 2007

domingo, 20 de maio de 2007

Instantâneo


Eu deitada no chão
você sentado na rede
o cinzeiro no meio
resto de vodca nos copos
jeito de noite chegando.
Preguiça de tanto fazer confidências.

Mariza Tavares

sexta-feira, 18 de maio de 2007


Memória
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Drummond
http://www.memoriaviva.com.br/drummond/index2.htm

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Darwin for Beginners

Uma homenagem ao Ernesto...

There was an old man with a beard,
Who said: 'When our species appeared,
We at first took the shape,
Of a primitive ape,
But were gradually re-engineered.'

©2001, 2002. FIRST PUBLISHED IN
POETIC HOURS ISSUE 17, AUTUMN 2001

terça-feira, 15 de maio de 2007

Reflexões de uma noite de terça...


o ônibus não pára
esperando e pensando
a vida me encara

Ana Maria de Souza Melo

segunda-feira, 14 de maio de 2007

SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente ...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

Mario Quintana ( In: Esconderijo do tempo)

domingo, 13 de maio de 2007

Mais um pouco de Cora Coralina...


Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina (Outubro, 1981)

Mães...

O Flávio já deixou um tributo lindo lá no Arguta Café pra nós, mas queria aqui no Life... Living... trazer algo pra nós todos - mães e pais - na esteira do que ele disse lá... Geradores de vida e amor... A música do Lulu Santos...

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo
Agora
Há tanta vida lá fora, aqui dentro
Sempre como uma onda no mar
(...)


A única coisa que não passa é o amor que temos pelos nossos filhos. E longe de sermos santas, somos mães e antes de sermos mães deveríamos ser AMIGAS e manter o diálogo sempre aberto junto com o coração. O resultado disso é que é sublime.
PARABÉNS pelo dia de hoje, que é apenas um lembrete de reflexão, pois mães somos todos os dias.

Mil beijos a todos e um ótimo dia!

sábado, 12 de maio de 2007

O tempo do amor
não há relógio que marque o tempo do amor
o tempo do amor
não se marca com relógios
nem com outra medida

não é necessário muito tempo
muito esforço do coração
nem muita conversa, muita lição

o tempo do amor
é para quando se ama

De Carlos Gildemar Pontes

quinta-feira, 10 de maio de 2007


Há bastante tempo temos todos falado 'on and off' sobre nos reunirmos. A distância de alguns de nós, a vontade de estarmos juntos, o bão de um papo a beira da lareira... parece ser a 'cenoura' que está balançando a frente de nossos olhos. Com isso em mente, faço um convite a todos vcs para virem a Pelotas entre 27/06 e 15/07 para visitarem a FENADOCE e podermos, ao mesmo tempo, nos vermos.

Dependendo de quantos vierem, podem ficar aqui em casa. Alguns terão que dormir em colchões no chão, mas as vantagens são uma boa lareira e uma boa churrasqueira no apartamento. A Lagoa dos Patos, um paraíso, a 12 kms e o mar a 60 kms. Acessem o link da FENADOCE e se deliciem...

quarta-feira, 9 de maio de 2007

terça-feira, 8 de maio de 2007

Reflexão de um final de noite...

A vida é feita de sonhos e possibilidades.

Sonho Acordada


Sem saber do amanhã
Sonho acordada
Piso em terrenos desconhecidos
Brinco com fogo
Sem medo de me queimar
Sem medo de errar
Sem medo de amar...

Corro perigo
Finjo não ver
Acredito em destino
E sonhando acordada
Eu aprendo a viver...

Procuro esperança
Me torno criança
Entro na dança
E obtenho prazer...

Sonho acordada
Me sinto amada
Sem medo de nada
Sem medo de ter...

Sonho acordada
Sonhos tão belos
Sonhos de paixão
Cumplicidade
Ternura que sempre quiz
Percorre meu corpo
Minh'alma
Me tráz felicidade
Me acalma ...
E me faz ser feliz!

@Copyright by Ângela Bretas
Figura: cantpoeta.blogspot.com

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Histórias da sala de aula (3)

British or American?
Desde sempre a dicotomia no ensino de inglês no Brasil tem sido entre inglês britânico e inglês americano, discussão inútil e ridícula! Hoje os diversos ‘ingleses’ do mundo são tantos que essa discussão ficou no vácuo.

Na Faculdade em que eu lecionava inglês, éramos professores com sotaques tanto britânicos quanto americanos e os alunos ganhavam com a diversidade, mas não sem críticas é claro. Certa vez, ao voltar de dois anos de estudos de mestrado, assumi uma turma de Língua Inglesa IV. No primeiro dia de aula, entrei e me apresentei em português, afinal era o primeiro dia e eu era nova no pedaço para esses alunos. Em seguida, pedi que os alunos se apresentassem e me dissessem quais eram suas expectativas com o semestre, comigo e com a disciplina. Começaram. Com exceção de uma aluna, os outros não me conheciam.

Chegou a vez de um aluno e ele se apresentou e falou sobre suas expectativas e terminou com a seguinte frase:
— Odeio sotaque britânico!
A menina que me conhecia queria se enfiar em baixo da cadeira. E eu, macaca velha, olhei pra ele com um sorriso e disse em inglês britânico (o meu):
— I AM so sorry! But you are going to have to put up with my British accent for a whole term.
Tadinho… Fiquei com pena de tê-lo decepcionado!!!!!

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
Hoje tenho um imenso orgulho desse aluno, o Rafael, que, diga-se de passagem se recuperou brilhantemente do fora que deu, e construiu uma identidade de professor e pesquisador muito interessante. Rafael foi o meu aluno, meu assistente de pesquisa, meu colega, é meu grande amigo e quinta feira tive o prazer e o orgulho de sentar numa mesa redonda em um seminário junto com ele, para discorrermos sobre Língua Estrangeira: Formação, Ensino e Aprendizagem.

Aliás, tive o prazer de dividir a mesa redonda com dois ex-alunos – Rafael e Isabella – uma doutora em Letras da área de francês e o outro doutorando em Informática na Educação com um enfoque no ensino e aprendizagem a distância de LE (inglês).

© Anne Marie Moor 2007

domingo, 6 de maio de 2007

Histórias da sala de aula (2)


Em 2005, ao voltar para a sala de aula após 4 anos na administração da universidade deparei-me com uma turma grande, muito imatura e muito jovem. A disciplina em questão era Língua Inglesa III. Depois de umas duas semanas, dei-me conta que cada vez que falava ou queria trabalhar com textos – prosa ou poesia – havia uma enorme desmotivação do grupo.

Surpreendente e aterrorizador, uma vez que eram todos futuros professores de língua! Decidi convidá-los a delirar comigo sobre leitura. Até aí tudo bem. O primeiro problema foi como fazer esse convite em inglês... Tive que aceitar que não sabia. Nesse momento, enviei um e-mail a amigos e colegas que falavam inglês, alguns falantes nativos e perguntei como se diria ‘Venha delirar comigo sobre leitura!’. Mais surpresas. Primeiramente, muitos deles não entenderam o que eu queria dizer com isso... Em seguida seguiu-se uma reflexão entre todos de como diríamos isso. Aqui está o resultado que, na realidade, não resolveu o meu caso e convidei os alunos em português mesmo!!!
“Me parece que esse "delirious" escorrega pelo místico ou pelo hipponga, um treco um tanto ingênuo. Acho que entendi o "teu" delírio como um lance mais pro delirante, pra maluquice, pra delícia da digressão, da desmesura, do desmedido. Do "bão" que é papo furado numa beirada de lareira, ao redor dumas taças de vinho. Asas ao espírito e à imaginação.” Bingo... Era isso mesmo! Mas continuava a dúvida. Como dizer em inglês?

Tive algumas sugestões geniais:
Reading frenzy? Come and share it(yours) with us(ours)
We can read you to a standstill. Try us!
Fed up with people who are fed up with reading? Come join us!
Is reading the only way out? We think so.
What´s so good about reading? Come and find out!
Mas não achei nenhuma adequada!!

Hoje, três anos depois, ao organizar a bagunça ao redor do meu computador e cercanias, achei um poema que responde à pergunta original:
Invitation (by Shel Silverstein)
If you are a dreamer, come in
If you are a dreamer, a wisher, a liar,
A hope-er, a pray-er, a magic bean buyer…
If you’re a pretender, come sit by the fire
For we have some flax-golden tales to spin.
Come in!
Come in!

© Anne Marie Moor 2007

sábado, 5 de maio de 2007


Fecundação

Teus olhos me olham
longamente,
imperiosamente...
de dentro deles teu amor me espia.

Teus olhos me olham numa tortura
de alma que quer ser corpo,
de criação que anseia ser criatura

Tua mão contém a minha
de momento a momento:
é uma ave aflita
meu pensamento
na tua mão.

Nada me dizes,
porém entra-me a carne a persuasão
de que teus dedos criam raízes
na minha mão.

Teu olhar abre os braços,
de longe,
à forma inquieta de meu ser;
abre os braços e enlaça-me toda a alma.

Tem teu mórbido olhar
penetrações supremas
e sinto, por senti-lo, tal prazer,
há nos meus poros tal palpitação,
que me vem a ilusão
de que se vai abrindo
do meu corpo
em poemas.

Gilka Machado

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Lidando com estresse...

Humor é sempre o melhor remédio

Uma vez quando era Pró-Reitora de Graduação o gabinete foi convocado para uma reunião que começaria às 11 horas... Emergências não permitem planejamentos melhores.

Pensei eu, com a convocação na mão... Putz... Mais uma vez vamos passar a hora do almoço toda aqui... Almoçar bolachinha doce mais uma vez me repugnava o estômago só de pensar. Saí da universidade naquela noite e fui ao supermercado. Resolvi comprar algo pra comermos durante a reunião. Sem saber muito bem o que comprar, perambulava pelos corredores do super pensando, quando o meu olho caiu sobre um vidro de ovos de codorna. Já sabia o que almoçaríamos no dia seguinte...

O gabinete era composta por três mulheres – a Reitora, eu e a chefe de gabinete – e seis homens. Ao chegar no dia seguinte, entreguei pra chefe de gabinete as minhas compras e disse, sem pestanejar:
– Minha contribuição para a reunião.
Não demorou 2 minutos e ela estava de volta dando risada, me olhou e disse:
– Só tu...
Os meus colegas de gabinete, me conhecendo, ficaram todos curiosos, mas eu me fiz de desentendida... a reunião continuou. Como sempre problemas ...
Dentro de poucos minutos a chefe de gabinete entrou e botou na mesa: ovos de codorna, amendoim com casca, palitinho e queijo...

A Reitora parou de falar, houve um certo silêncio e a reunião teve de ser interrompida de tanto que ela e esses homens riam. Riram, relaxaram, desestressaram, COMERAM e retomamos a reunião com resultados bem produtivos!!!

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Cora Coralina

Não Sei
Não sei... se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar...