domingo, 29 de março de 2009

Energias


Trapiche no Laranjal
Ao acordar hoje olhei pela janela e um céu azul e um sol lindo me olhou. Fui caminhar na beira da Lagoa (dos Patos) - Praia do Laranjal - nossa praia. Energia pura. Um colírio para os olhos. Extensão de água feito mar, imenso, azul marinho, hoje calminho com o reflexo do sol a mostrar caminhos. Muita gente. Caminhando. Sentados ao sol ou à sombra das figueiras que formam a paisagem da beira da Lagoa. Conversando. Lendo. Tomando chimarrão. Em grupos. Sozinhos. Caminhei. Encontrei amigos. Parei. Tomei chimarrão e botei assuntos em dia. Uma manhã deliciosa! Energias recarregadas!

Por outro lado, as maravilhas da Internet! A tarde passei em companhia de 5 amigos. Bate papo, cada um em sua casa, em seu país, mas juntos. O papo rolou solto (75 mensagens de e-mail ao todo) entre Brasil, Uruguay, Chile, Bahamas, Estados Unidos (2). Cada um a fazer suas coisas - por exemplo, eu a fazer tricô - enquanto conversamos, rimos, trocamos idéias, discutimos o viver. Quando que íamos imaginar estar convivendo assim 50 anos atrás!!! Delícia de novo! Um sentimento de uma tarde gostosa em companhia de amigos...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Cheiro da chuva

Hoje, enquanto trabalhava, começou a chover antecedido pelo resmungar dos trovões e em seguida o cheiro da chuva... Parei de trabalhar e:



Cheiro de chuva abraça-nos em
Memórias de infância, de avós,
De brinquedos, de companheirismo.

Cheiro de chuva traz-nos
Lembranças de tempos idos

Cheiros e barulhos que
Acompanham a chuva.

Delícia!

© Anne M. Moor

quinta-feira, 26 de março de 2009

Acasos


Ver as estrelas cintilar em um céu iluminado
Traz um desejo de estarmos juntos no
Brilho emanado e na luz produzida
A compartilhar espaços de vida
Olho no olho, sorriso aberto
Sentires aguçados, atentos
Mãos entrelaçadas
Beijos muitos
Nós

© Anne M. Moor

terça-feira, 24 de março de 2009

Porque este e não aquele?


Paixões espocam de um universo em movimento
Misteriosamente sem comentário nem aviso
Gritam, envolvem, mexem com o que é mais íntimo
Instalam-se feito neurônios lúdicos a zombar da sanidade

Amores, mais calmos, acomodam-se no aconchego
Fincam raízes, apossam-se da respiração, ensaiando
O bolear do coração em arremesso de chamas que
Armam sentires, vontades e desejos de vai-e-vem

Porque este e não aquele? O que diferencia o calhado?
Explicações inexistem nem racionais, nem emocionais
Simplesmente é este e não aquele

Paixões e amores brincam com o que mais íntimo temos
Amores e paixões entrelaçam-se em um viver em abalo
Enigmas necessários a um viver de intensidade e prazer

© Anne M. Moor
Imagem da Internet

sábado, 21 de março de 2009

Solidão


vontade e sentimentos
tem lá meandros estranhos
incompreendidos em vezes repetidas...

Passa o tempo
solidão explode
amarras criadas
tiram o ar...

Viver é abrir-se
sem medos e preconceitos
ato possível, mas
permitir-se essencial...

© Anne M. Moor - 2008
Imagem: 'Caldeira do Moinho Pequeno' de António Tapadinhas

sexta-feira, 20 de março de 2009

Meandros da ferrovia brasileira

1959. Memórias de uma viagem entre Jaguarão e Pelotas. Meu tio era diretor do ‘ferrocarril’ no Uruguay, então uma companhia britânica. Vieram nos visitar em Pelotas – tio, tia e 3 primos. Como trabalhava com trens, meu tio resolveu vir de Jaguarão a Pelotas de trem – Maria Fumaça – em vez de vir de ônibus. Ninguém havia contado pra ele que a linha ferroviária entre as duas cidades havia sido paga pelo metro de construção!

Embarcaram. Fazia calor. A paisagem linda. E lá foram. No trem não havia nada, nem água. Volta e meia o trem parava no meio do nada e o maquinista e seu ajudante desciam a tomar chimarrão e observar a paisagem. Certa hora meu tio olhou pela janela do trem e enxergou outro trem do lado... Pasmem. Não era outro trem, era o deles fazendo a curva do ‘pagamento por metro’. Era dia de jogo de futebol e de repente o trem parou mais uma vez e o maquinista, seu ajudante e o resto dos homens do trem se enfiaram num boteco na beira da ferrovia a escutar o jogo. Lá ficaram torcendo enquanto os passageiros esperavam!!!

Chegaram em Pelotas com 3 horas de atraso e a janta que os esperava estava torrada!!! Mais uma aventura nas estradas da vida, embora desta eu não participei. Viver nos anos 50 no sul do Brasil era definitivamente uma aventura.

© Anne M. Moor

quarta-feira, 18 de março de 2009

O corpo exige

Presto distraída atenção ao meu corpo.
O que me pede, eu faço.
Às vezes, não entendo logo suas ordens, mas cedo sempre.
Me achego a ele e indago:
-O que queres? Ah, é isso? Então, concedo.
Sempre que eu resisti um de nós saiu-se mal.

Nas 24 horas do dia, ele pede,
e quando cala, fala
num discurso de sonhos que me abala.

Ele sabe. Eu sei que ele sabe,
e sabe antes de mim, e nele
eu sei dobrado, sou um-e-dois
como os dois cortes de um sabre.

by Affonso Romano de Sant'Anna

Prumo


O prumo brinca
o tino com vontade
própria
impressão de
movimento
a embalar
a vida...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sentimentos e Sentidos

sentimentos formam sentidos
de um viver diferente
conversas ao pé do ouvido
sentimentos a aflorar
sentidos a se formarem
sandices a fazer rir
vontades a fazer chorar

ser
estar
conversar
sentir
viver

memórias existentes ou não
de um outro tempo
lembranças velhas e novas
sonhos possíveis e impossíveis
silêncios a gritar
sentimentos a vibrar
sentidos a faiscar

© Anne M. Moor
Imagem: alzerinabarbosa.blogdrive.com

quarta-feira, 11 de março de 2009

Sonhos...

Contagiado pelo "Alma Tua" escrevo:

Sonhos vem de desejos
Desejos vem da alma -
tua, minha
Sonhar leva-nos em vôos
intensos e magníficos.
Prazer, delírio.
Sonhar é vida!

viajando

nao tenho postado por estar passeando em montevideu... volto segunda.

mil beijos a todos

anne

domingo, 8 de março de 2009

Caminhos

Ontem foi um dia muito especial! A formatura destas pessoinhas, meus afilhados, uma vez que fui convidada para ser paraninfa da turma. Juntos aprendemos a distinguir e entender a diferença entre ensinar e aprender. Compreendemos que nem tudo que nos é ensinado aprendemos; e que aprendemos mesmo que alguém não tenha nos ensinado. Aprendemos na caminhada, aprendemos no erro, aprendemos no compartilhar momentos de crescimento, enfim, aprendemos a ser mais humanos, a compartilhar nossas caminhadas, a pensar no outro, a aprender a lidar com nossas inseguranças, a não ter medo de experimentar, a nos conhecer melhor, a entender o nosso eu e a compreender o que é ser professor.


Ao fazer escolhas na vida, tantas coisas influenciam
os caminhos a serem tomados - tortuosos ou não;
sonhos de infância, desejos de adolescência, exemplos
que intensamente habitam nossas vidas.

Passa o tempo em um vai e vem inconstante de anseios,
nem sempre muito nítidos, nem objetivos, mas todavia
interesses múltiplos que povoam nosso dia-a-dia com
uma insistência por vezes até irritante, um teimar persistente.

Não foi em vão. A colheita surge no final de uma caminhada
e no início de uma vida amadurecida. Viagens, Mestrados,
empregos – coroa de louros por anos de um laborar árduo.

Professores, pesquisadores, leitores e escritores de uma
vida descoberta no interior de cada um, abrindo espaços
e caminhos de um expressar humano na lida com o outro.

© Anne M. Moor

quinta-feira, 5 de março de 2009

Avalanche


Sinto a alma a rodopiar
em absoluta desordem
a mostrar prazer.

Um movimento flutuante
a perder-se nas curvas
do sentir.

Um balançar de galhos
me aconchega
em abraços.

Surpreendente burburinho
ferve no vento
do momento.

© Anne M. Moor
Imagem: by Judi Forney at
http://www.judiforneyartist.com/
Feeling of Love

terça-feira, 3 de março de 2009

Melodia


Entreouço sons de almas a rumar
em direção ao acaso
gerando murmúrios em sintonia
pautados pela melodia
de letras, sílabas e palavras.

A vida – um enigmático surpreender.

Sentires profundos sem pedir licença.



© Anne M. Moor - 2009
Imagem: Google imagens

domingo, 1 de março de 2009

Side by side


Velho e novo encontram-se sob um céu azul
Alturas distintas lado a lado a interagir.

Janelas de guilhotina e fachadas envidraçadas
convivem em harmonia a demonstrar
a beleza da coexistência do diferente.

© Anne M. Moor
Imagem: Foto de Pelotas – Blog Pelotas, Capital Cultural
http://pelotascultural.blogspot.com/