terça-feira, 30 de junho de 2009

Volver o no


Pienso lo que no pienso
es decir eso que ya perdió
su luz de pensamiento

en cambio siento lo que siento
porque los sentimientos
ponen en circulación
profecías alegres
que se cumplen o no
pero son mías

si pudiera volar
con mi mochila a cuestas
volvería más sabio que um murciélago
pero somos terrestres y no hay caso

después de todo
aquí también hay luz y árboles y sangre
y benditos y crueles y perros extraviados

y hay que vivir con todo eso
y sus inesperadas revelaciones

Mario Benedetti

domingo, 28 de junho de 2009

A dança das nuvens

Hoje de manhã, sentada no meu escritório e a olhar pela janela fiquei observando a dança das nuvens, que me levaram a dançar junto e inspiraram este poema...


Nuvens andam a esmo pelo céu
O sol, timidamente a espiar
Por entre as formas criadas e
A chaminé, patrimônio histórico
Parece dar sustentação à imagem.

Nuvens em tons de cinzas e pretos
Desenham o frio que ronda
A invadir casas e corpos
Mas a dança entre formas e cores
Aquecem o coração e a alma.

Nuvens brincam de esconder o azul
A dançarem em volta do sol que
Acomodado aceita a traquinagem e
Vez por outra compõem imagens
A desafiar as cores frias das nuvens.

© Anne M. Moor

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Lua, companheira de delírios...


A lua hoje deitada de costas
Qual rede na varanda
A abraçar o mundo, traz
Desejos de sentar na guimba
Balançar as pernas e conversar
Com as estrelas, sussurrar
Segredos, abanar os braços
E cantar a vida aos sete
Cantos da terra! Voar com
Asas de sonhos em direção
Ao achego do teu abraço!

© Anne M. Moor

terça-feira, 23 de junho de 2009

Tristezas


É triste ficar triste
Ponto de partida
Para uma reengenharia
Coisas boas entremeadas
Por pequenos desassossegos
Que assopramos pro alto
De tristeza em tristeza
De assopro em assopro
Aprendemos a lidar
Com a vida... Ou não...

© Anne M. Moor

domingo, 21 de junho de 2009

Climas


Começa o inverno
e o tempo o desmente!
O calor do coração zomba
com a estação que se achega.
O frio anunciado não quebra
o aconchego instalado,
nem abala as tormentas
expressadas. Traz a
promessa do estar junto,
da energia gerada,
e a magia do crepitar
das labaredas da lareira.

© Anne M. Moor

sábado, 20 de junho de 2009

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Almas Abertas


Dia após dia janelas abertas deram passagem a
afeto e carinho que nasceu de almas em sintonia
sem convite nem procura –
vibrações inexplicáveis formando uma rede tertúlica.

Afeto e carinho pelo companheirismo instalado
amor transformou-se sem sentir.
Ao acordar um dia vimo-nos olho no olho
um no outro, conchas interligadas.

Embalados pela singularidade dos meandros
de um estar junto sem estar, ao murmurar do mar,
as noites tornaram-se estreladas e parceiras.

Vôos noturnos com asas abertas
salpicadas pelo brilho da lua e o cantar do mar
mantêm abertas as janelas da alma.

© Anne M. Moor

Há...


Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada

Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:

Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

Alvaro de Campos

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Mistérios de amar


Lindo é acordar de manhã
Sabendo-se amado
Sentindo-se aconchegado
Deliciando-se com recordações
Da noite!

Lindo é dormir de noite
Em paz consigo mesmo
Em ondas calmas
Em areias tramadas
De mistérios!

© Anne M. Moor

sábado, 13 de junho de 2009

Com quantos paus se faz uma vida?

Colonia del Sacramiento - Uruguay

Saudade dos tempos em que tudo parecia tão simples
Saudade de quando as manchas nas paredes não me provocavam
Saudade dos tempos em que as janelas estavam sempre abertas

Saudades...!

A vida levou-me por caminhos
povoados de desafios e provocações
que transformaram o simples em complexo
que fizeram as manchas das paredes virarem arte
que fecharam as janelas em uma estrondosa rumba!

Quem disse que eu gostava de desafios?!

A vida!

A vida resolveu me mostrar
com quantos tombos se faz
com quantos choros se faz
com quantas risadas se faz
com quanto trabalho se faz

uma mulher!

Acho que aprendi!

© Anne M. Moor

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Pensamentos de uma noite de inverno

O frio traz consigo
o cheiro da lareira
da estufa...
o bafo de um banheiro
envolto em nuvens
de vapor da água
fervendo do banho!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Certezas


Sonho? Pesadelo? Não sei bem, mas
A assombrar horas e horas de mim
Em um redemoinho de sentires a povoar
A noite fria e úmida a me envolver.

Quando sem rodeios vislumbro nos
Olhos teus o brilho da paixão a me fitar
Mesmo estando em corpo alheio
Sei que és tu de tão longe a me provocar.

A noite silenciosa a aconchegar quereres
Fantasias de outrem a atentar a imaginação
Devaneios voando soltos ao meu redor.

Acordo envolta em certezas gritantes
a ouvir chamados longínquos a me acarinhar
a segurança de amar e ser amada.

© Anne M. Moor

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Tu disseste

Hoje faço uma homenagem ao meu amigo Ernesto!


Fundo de poço, de um poço bem fundo
Estreito poço de um estreito mundo
Escuro e negro, útero infecundo
Sem sol nem lua e nem cor nem nada

E nele eu, a ensimesmar loucuras
A remoer a mágoa acumulada
Choro a tecer da dor uma armadura
(enquanto o povo ri na arquibancada)

Eis que embargada tua voz me fala
Emocionada e da raiva despida
Fala do amor que só em ti existe

Explode a luz, a multidão se cala
Eu me transmuto, cura-se a ferida
Louco talvez; não mais um louco triste

Ernesto Dias Jr. (26/05/2006)
Afrodite feiticeiro do amor - by AntónioTapadinhas

sábado, 6 de junho de 2009

No te rindas...



No te rindas,
aún estás a tiempo de
alcanzar y comenzar de nuevo,
aceptar tus sombras, enterrar tus miedos,
liberar el lastre, retomar el vuelo.

No te rindas
que la vida es eso,
continuar el viaje,
perseguir tus sueños,
destrabar el tiempo,
correr los escombros
y destapar el cielo.

No te rindas,
por favor no cedas,
Aunque el frío queme,
aunque el miedo muerda,
aunque el sol se esconda,
y se calle el viento,
aún hay fuego en tu alma
aún hay vida en tus sueños.

Porque la vida es tuya
y tuyo también el deseo
porque lo has querido
y porque te quiero.

Porque existe el vino
y el amor, es cierto.

Porque no hay heridas
que no cure el tiempo.

Abrir las puertas,
quitar los cerrojos,
abandonar las murallas
que te protegieron.

vivir la vida y aceptar el reto,
recuperar la risa,
ensayar el canto,
bajar la guardia y
extender las manos,
desplegar las alas e
intentar de nuevo,
celebrar la vida y
retomar los cielos.

No te rindas,
por favor no cedas,
aunque el frío queme,
aunque el miedo muerda,
aunque el sol se ponga y
se calle el viento,
aún hay fuego en tu alma,
aún hay vida en tus sueños
Porque cada día es un comienzo nuevo.

Porque ésta es la hora y
el mejor momento.

Porque no estás sola.

Porque yo te quiero.

by Mario Benedetti

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Nowhere...

Este poema foi escrito em homenagem a uma pessoa muito especial...


Fugir para lugar nenhum
É o que me apraz, disse ele!
Têm momentos profundos
que nos tiram o chão.
Desespero. Dor. Falta de ar.
Abre-se o céu e caem aos
Borbotões sentimentos
Armazenados sei lá onde!
Respira fundo, capta a energia
Do mar e da terra e foge...
Foge sim para um lugar
Indeterminado mas certeiro!

© Anne M. Moor – 04.05.2009
Imagem: Road to Nowhere - Imagem do Google Imagens

Sem título...


Das janelas dos meus eus
as paisagens se alternam
Os eus que há de mim não são meus
são daqueles que os enxergam

Quantos reflexos de mim encontrei
Quanto de mim se perdeu em cada encontro
Quantos espelhos em minha alma visitei
Quanto do outro há em mim e do eu há no outro

Fragmentos de vidas de cada personagem
cenários repletos das cores dos meus amores
Diálogos no silencio buscando a imagem
na imensidão dos atos vividos por seus atores

Quantos eus mantenho nas masmorras da memória
personagens de um tempo esquecido, perdidos
Eu finito ser, que vivendo a intensidade de sua historia
encontro-me diante dos meus eus pela vida refletidos

Nunca me encontro pois que sou a imagem formada de mim no outro
Eu, o eu de mim, o eu de ti, o eu dela, o eu deles, infinitos eus
Quem me dera por um único e derradeiro instante findar o desencontro
Vendo refletir a minha imagem no fundo dos olhos meus.

© Vittorio Gilberto Zottino (Um amigo que anda sumido)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Baralho das sensações

Este texto, escrito a partir de estímulos sensoriais sugeridos, é de minha querida amiga/irmã Sílvia King Jeck. Amiga de 'outros carnavais'. Companheira de muitas luas.


Céu estrelado, em noite de lua nova. Muito frio nas coxilhas e planícies de minha querência. Aqui, no pomar onde moro, sinto o cheiro da terra molhada pelo sereno que torna ainda mais ácido meu perfume natural. E o cheiro do mato, nesta noite especial, cria uma moldura notável para o dourado selvagem de minha pele. Estou prontinha para ser colhida: sou uma laranja madura.

© Silvia King Jeck- 15/10/05 - Niterói