sexta-feira, 31 de julho de 2009

Encruzilhada


Fechou-se a porta ...

Surge um túnel negro
Longo, sufocante e peguento
Um desvio necessário
Do turbilhão de sentires
Há muito a te minar!

Eis que nasce um ponto ...

Cintila, pisca, acena no fundo
A cada pisada de dor
Alarga-se a luminosidade
A cada braçada sofrida
Aumenta o foco de luz!

Abre-se uma janela nova ...


© Anne M. Moor
Vídeo: "Crossroads" by Don Mclean.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O mundo digital e seus tentáculos (2)

O uso do computador e a descoberta da internet foram, para mim, uma festa. Gosto de viver, adoro gente, tenho imenso prazer em conhecer pessoas novas, enfim, de me relacionar. A minha incursão neste mundo mágico foi aos poucos. Comecei pelo acadêmico, mas logo a seguir o pessoal e social começou a me atrair. Os sites de relacionamentos me pareciam algo perigoso – medos surgiram. Mas a curiosidade nata me fez explorar e abriu-se um mundo surpreendentemente fascinante aos meus olhos. Cadastrei-me no primeiro, ainda com uma mistura de medo e vergonha. Comecei a conhecer pessoas diferentes. Uma realidade estrondosa apresentou-se – milhares de homens e mulheres de minha idade – 50... 60... – solitários, procurando companhia, amizade, papo. Foi um início.

O mundo digital tem desacomodado de várias maneiras a sociedade nas últimas décadas. As relações pessoais passaram a contar com formas diferentes e não tradicionais de interação, empatia, encanto e, por que não, de amor. Formas essas pouco aceitas por pessoas avessas a mudanças, a coisas novas, a aventurarem-se no abismo da vida.
Conheci pessoas. Criei empatias e sentimentos com pessoas sem vê-las, nem ouvir a voz (naquela época eu não tinha câmera.). Surpreendi-me com o fato de poder criar empatias com alguém sem ouvir a voz, sem ver, sem tocar... Namorei. Fui tachada de louca, pobre coitada, entre outras coisas por pessoas que nem sequer sabem ligar o computador e muito menos entendem as relações humanas virtuais ou presenciais. Mas eu sabia o que sentia e passei a conhecer a vida que se desenrolou a partir disso.

Muitos amigos queridos conheci e mantenho até hoje. Alguns ainda virtuais, outros já presencialmente também. A riqueza dessa rede de amigos novos e/ou reencontrados é que não mais o meu círculo de amizades é restrito à cidade em que moro, mas espalha-se pelo mundo. Tenho amigos no Brasil, na América do Sul, nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália. Amigos com quem converso e interajo quase todos os dias. Encontrei-me novamente com amigos da época do colégio pela internet e posteriormente em encontros agendados com a ajuda da internet. Mágico e adorável. Sem a internet jamais teríamos encontrado colegas de 50 anos atrás. Não só encontrei, mas passamos a interagir como se os 50 anos não houvessem existido.

Conheci um grupo de amigos através do meu blog e do deles. O mesmo país mas estados e cidades diferentes. Marcamos um encontro após um ano de interação pela escrita, pela poesia nos blogs. Foi em São Paulo por ser o ponto mais central do grupo. O que mais surpreendeu a todos foi a familiaridade que havia entre o grupo. A sensação de conhecer as pessoas desde sempre. O prazer de estarmos juntos.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O mundo digital e seus tentáculos (1)

Sempre fui curiosa e rebelde. Curiosidade que me impulsionou a sempre procurar formas novas de viver. Rebeldia que me incitou a buscar o diferente, a aproveitar as oportunidades que a vida apresentava. O mundo digital está entre a curiosidade e a rebeldia. Instalou-se e está aqui para ficar, embora muitas pessoas insistam em ignorar esse inusitado fato. Poderiam me perguntar por que ‘inusitado’ se esse universo existe há tanto tempo. É bom deixar claro que eu me refiro à tecnologia em relações pessoais e não profissionais, nem acadêmicas. As relações entre homens e mulheres, entre pais e filhos, entre amigos, irmãos... Nos últimos anos o ser humano tem se encontrado em uma teia enredada de solidão, carência e um sentimento de estar perdido. O tradicional nas interações, no emergir de empatias, no sentir simplesmente tem sofrido com as mudanças sociais. Tantas pessoas na solidão dolorida, na procura de companhias, no buscar de aconchego... Nunca foi tão intensa a busca pelo ‘eu’ e pelo outro!

sábado, 25 de julho de 2009

Liberdade


O desejo por liberdade é busca constante.
É tesouro dos que temos almas irrequietas,
curiosas, cheias de vida, sonhos e alvedrio.

Libertarmo-nos de nossas próprias correntes
é ato de coragem, garra e obstinação.

Traz-nos ansiedade, angústia, dor e a noção
da necessidade do olhar para o horizonte
em busca de nós mesmos .

Espaços e estações de imagináveis
combates que nos levem ao vôo da águia.



© Anne M. Moor

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Frio no Brasil? Sim!


Frio!

Ao abrir a boca emanam nuvens
De condensação a embaçar óculos
E vidros. Toca, luvas, casacão...

No amanhecer dos campos e jardins
Paira no ar um não sei quê como se fosse
Algodão. O lirismo da geada.

As plantas, anteriormente verdes, mostram-se
Brancas com uma renda delicada a desenhar-se
Em suas folhas ao criarem pingos gelados.

A alma achega-se às chamas de um fogo
Qualquer em busca do achego e do calor
Humano que desmente o gelado ar!

Frio! Muito frio!

© Anne M. Moor

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Estrelas

As estrelas que alumiaram a noite
São as mesmas que cintilam sobre

O barco

Que se move em remadas potentes
Por intensos mares revoltos em

destino certeiro

©Anne M. Moor

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sonhos


Sentada a pensar no aqui e agora
Mas a enxergar além dos sonhos,
Longe...
Vem átona o sentir de outrora
A voz sussurrante no calar da noite
a adocicar meus ouvidos com ternuras.
Será que foi sonho ou realidade?

© Anne M. Moor

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Aventuras da vida


Aventuras fazem parte de quem sou
Criei-me entre culturas, países e pessoas
Com as quais aprendi que a vida é cheia
De surpresas, alegrias, dores e aventuras

Dizem que é preciso ter coragem pra viver...
Verdade! Mas não só, também é necessário
Vontade, que tem se mostrado a mola propulsora
De uma vida cheia, repleta de peripécias e riscos

Escalei morros que viraram montanhas e acabaram
Em morrinhos. Embrenhei-me por entre o barro das
Trilhas da vida e a sujeira grudou-se em minha alma

Galguei o caminho de volta com garra e teimosia
Experiências diversas tentaram me desviar da rota, mas a
obstinação e a pirraça mantiveram-me em movimento até aqui!

© Anne M. Moor

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Aconchego II


Toque físico de sentir profundo
Nascido do aconchego do acaso
Alimentado por palavras e metáforas
Nas entrelinhas do sentimento com
Carinho gerado por muita ternura
Em um amor surpreendente
A trazer desespero e paz.

© Anne M. Moor

sábado, 11 de julho de 2009

A dor da solidão



Ao ver nas rochas os leões marinhos
Entendo sua fascinação pelo mar, pelo sol.

O bater das ondas contra as pedras a fazer
um barulho ensurdecedor qual solidão em
meu peito a bater-se contra a realidade.

Eu com o olhar perdido no horizonte
Pensamentos no que poderia ser.

Cheiro do mar, do sal a encher
Meus pulmões de esperança
De energia pra continuar...

© Anne M. Moor

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Coleções


Colecionamos aquilo que nos fala
Diretamente ao coração, à memória
Coisas, depinduricalhos, mementos

Tem quem colecione sorrisos
Tem quem guarde olhares
Tem quem reúna vozes

Todos dizem muito ou pouco
Dão-nos prazer ao reviver
Momentos ímpares da vida

© Anne M. Moor

terça-feira, 7 de julho de 2009

Quando te conheci


Uma sensação muito estranha,
algo difícil de explicar...
como se um anjo
Acariciara-me a alma...
e meu coração quisera voar...
De repente, uma invasão de silêncio...
como se os pássaros deixassem de cantar,
o vento que revolvia meu cabelo,
por um instante, deixou de soprar...
Em verdade não tinha muito claro
se estava sonhando, ou se era realidade...
...que tempo durou o feitiço...
...um segundo...ou uma eternidade?
Só sei que alucinaram meus sentidos,
o dia que meus olhos, conheceram teu olhar...

Juan Andrés Leiwir

sábado, 4 de julho de 2009

O teu escrever


O que é amar?
É querer estar junto pelo resto da vida.
É poetar juntos ou em conjunto.
É lermos o mundo e a vida com os corações!
É escrevermos nas entrelinhas com a alma e
produzirmos sentimentos que tocam profundamente.
Amar-te é entendermo-nos sem palavras,
nos silêncios eloqüentes dos intervalos da paixão.
Ouvir-te é estarmos na mesma sintonia.
Entender como isso aconteceu
já não tem a mínima importância.
Aconteceu...

© Anne M. Moor

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Ler...


Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam.


(Leonardo Boff)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Arcos e sonhos


Caminho pela estrada de pedras
jogadas uma a uma em
desordem acomodada, ladeado de
floreiras coloridas, degraus
portas e janelas... que
guardam segredos e vidas.
Lá no fundo vê-se o mar, a areia
por entre arco arredondado
que lembra velhos tempos e
antigos lugares!

© Anne M. Moor
Foto: Colonia del Sacramiento - Uruguay