domingo, 31 de maio de 2009

As labaredas do aconchego

O frio chegou. Ao terminar uma semana muito cheia sento-me aqui com minha companheira e a lareira. O fogo encanta os olhos. As labaredas em um hipnotizar terapeutico a aquecer o corpo e a casa. Um certo cheiro de fumaça enche meu cantinho. Pelas janelas vê-se nuvens cinzas. Vento a farfalhar as folhas das árvores. O chiar do ventar nos pagos do sul fazem música de um ninar diferente. Sopra como um dragão enfurecido pelo corredor do condomínio. O crispar das chamas se contrapõe ao uivar do vento formando uma sinfonia de inverno e de aconchego. Frio na rua e calor na alma traz sentires gostosos. Lembranças de momentos deliciosos guardados nos coração. Paz instaurada. Leitura concretizada. Escrita solta. Amor faz-se com as palavras.

© Anne M. Moor

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O nosso chão...


O nosso 'chão' diverte-se a brincar de areia movediça...
Some como por milagre, de uma hora pra outra,
mas assim como foge ele ressurge do barro peguento.
Altos e baixos povoam nossas vidas e criam nós a
Fazer-nos chorar em um derramar de fel lodoso!
Aprendi, ao sair pela ponta inferior do parafuso
que não vale a pena deixar-se abater de vez por
coisas que temos escolha de mudar...
E ao achar a coragem de enfrentar o aluvião,
consegui galgar a subida para voltar ao topo do
molinete e a viver voltei.

Brotou de uma conversa com alguém muito querido...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Correria!


Há momentos na vida em que o relógio
Parece enlouquecer e a vida torna-se
Um tumulto ‘punk’ e caótico!

Tudo e todos conspiram para o
Enlouquecimento precoce – será –
De uma vida a caminho do ocaso!

© Anne M. Moor

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Amor


Defini-lo impossível ou no mínimo difícil.
Senti-lo um prazer deliciosamente delirante.
É pra sempre? Não. É um néctar a ser
alimentado por sentires, toques, olhares,
palavras, entrelinhas, carinhos e muita ternura.
É ter o que dizer. É saber ouvir. É querer
estar junto, é fogo em chamas! Deixar
as labaredas esmorecerem é morte lenta.
Atiçar o fogo da paixão faz parte da
dança da sedução, combustível do amor,
‘esse indizível’, girando as rodas da vida.
Experimentar as flamas do amor e da paixão é
saber-se aconchegado na concha do amado!

© Anne M. Moor
Foto da lareira aqui de casa...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Expectativa

Pálpebras fecham-se devagarzinho
Faz-se tarde após dia cheio
Sono pesa a tua espera
Sensação acolhedora
Apossa-se do corpo
Na expectativa
De te ver...

Vens?

© Anne M. Moor

sábado, 16 de maio de 2009

A Lua Chama...


A lua que enxergo pela janela
sorri e fala de luzes espocantes
iguais ao brilho dos teus olhos!

As estrelas que espio no torpor
deixado por momentos de ternura
piscam na calmaria da escuridão!

Noite de cumplicidade gerado
por almas que se buscam
em silêncios sonoros!

© Anne M. Moor

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Andares ...


Ao vagar por caminhos sinuosos
entre portas e janelas fechadas, deixe
voejar pensamentos por entre arestas e ferrolhos
que insistem em ficar cerrados! Mas, ao permitir
o bater de asas como as borboletas, lubrificam-se
trincos e gonzos e abrem-se frestas para
adentrar sol, ar, chuva, perfume de flores, de grama,
cheiro doce da terra, enfim, o olor de vida!

© Anne M. Moor

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Home is where I live



Sejam bem vindos!
Gosto de badulaques
flores e fotos
livros, muitos livros
pinturas que espelham
ruas. Ruas que contam
histórias de gente.
Este canto dá uma
palhinha de onde
e como ‘nóis mora’.

© Anne M. Moor

Ser mãe

Dizem que ser mãe é padecer no paraíso. Ser mãe NÃO é sofrer, ser mãe é felicidade, mesmo que as vezes seja preocupação. Lembro muito bem olhar nos olhos do meu primeiro filho quando o colocaram em meus braços e, embora meio fechadinhos, fez um ‘click’ entre nós que perdura até hoje. E assim foi com todos os quatro. Olhares diferentes, cada um, mas fortemente ligados como se fosse pelo cordão umbilical. A felicidade que irradia pelo corpo todo é ímpar e certamente compartilhada com os pais. Ser mãe é dedicação e muito trabalho braçal no início, mas também é muita canção de ninar, muito aconchego, muito cheirar a cria, muito simplesmente sentar com eles no colo e os observar – observar o milagre da natureza. A medida que eles vão crescendo, ser mãe passa a ser saber ter paciência, saber guiar, saber impor limites e principalmente saber dizer não. É chorar de desespero, mas é chorar junto de alegria. É saber desligar o canal para deixá-los viverem suas vidas. É ficar olhando eles se esborracharem no chão e aprender a levantarem-se sozinhos, se bem que com uma mãozinha levemente escondida. É saber ser mãe, mas principalmente amiga nas horas boas e nas horas ruins. É saber aceitar que eles têm idéias diferentes das nossas, é aprender com eles. É compartilhar vidas. É entender que a vida é feita de fases e eles têm de passar por todas e que nós não podemos viver a vida deles por eles. Ser mãe é estar presente, mesmo não estando, em silêncio. Enfim, ser mãe é viver, é compartilhar, é dividir, é carinho e muito amor e jamais deixar de ser mulher!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

♫ Venham dançar comigo! ♫


Dançar ao som do tango, do bolero, do samba,
do rock, do twist, do baião, do forró,
mexe com o imaginário, o corpo e a alma.

Levita-se com a mágica do som e voa-se
num bater de asas em passeios pela vida,
enquanto os enigmas aquietam-se.

O movimento de pernas, braços, quadris, pés
levam-nos em viagens musicadas sem fim,
esquivando das nuvens nos céus da imaginação,
pulando as pedras no leito dos rios que fluem
em excursões quentes de um bailar sem fim.

© Anne M. Moor

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Cansaço


Dia cheio
Reuniões mis
Trânsito enlouquecido
Estacionamento nulo
Pessoas em demasia
Estresse apontando.

Peso nos ombros
Braços moles
Cabeça cheia
Corpo moído
Pernas rebeldes
Neurônios adormecidos.

Banho quente
Escorre a água
Corpo abaixo
Músculos agradecem
Soltam-se tensões
Esvai-se a fadiga.

© Anne M. Moor

terça-feira, 5 de maio de 2009

Vento


vento que te quero
varredor de teias
da minha vida!

vento que te quero
dedilhando meu cabelo
em rajadas intensas!

vento que te quero
escancarando meus olhos
para fitar longe!

vento que te quero
companheiro, parceiro
de horas de mim!

© Anne M. Moor - 18/02/2008
Foto: BMW GS Adventure do meu filho

sábado, 2 de maio de 2009

Casulo

O comentário da Tetê no post anterior me fez pensar... Talvez o poema 'Casulo' explique um pouco o meu escrever. Faz um ano e meio que o escrevi, um dos primeiros sonetos que escrevi - me escrevi...



Durante anos um casulo abrigou-me
escondida no seu interior confortável...
Protegida do mundo e de mim mesma,
que chorava internamente perdas e culpas!

As âncoras abriram seus braços,
sairam do ninho procurando seu vôo,
raízes bem fincadas, dando apoio.
Levaram meu capulho...

Liberta, bati as asas e saí ao mundo.
Abri portas e comportas pra deixar entrar a vida.
Vi-me em movimento na busca do meu norte.

Reconheci-me mulher novamente,
Soltei-me das amarras e abri os braços...
Perdoei-me nem sei do quê! Vivo!

© Anne M. Moor – 31/01/2008
Imagem: “Casulo” – catedral.weblog.com.pt