O uso do computador e a descoberta da internet foram, para mim, uma festa. Gosto de viver, adoro gente, tenho imenso prazer em conhecer pessoas novas, enfim, de me relacionar. A minha incursão neste mundo mágico foi aos poucos. Comecei pelo acadêmico, mas logo a seguir o pessoal e social começou a me atrair. Os sites de relacionamentos me pareciam algo perigoso – medos surgiram. Mas a curiosidade nata me fez explorar e abriu-se um mundo surpreendentemente fascinante aos meus olhos. Cadastrei-me no primeiro, ainda com uma mistura de medo e vergonha. Comecei a conhecer pessoas diferentes. Uma realidade estrondosa apresentou-se – milhares de homens e mulheres de minha idade – 50... 60... – solitários, procurando companhia, amizade, papo. Foi um início.
O mundo digital tem desacomodado de várias maneiras a sociedade nas últimas décadas. As relações pessoais passaram a contar com formas diferentes e não tradicionais de interação, empatia, encanto e, por que não, de amor. Formas essas pouco aceitas por pessoas avessas a mudanças, a coisas novas, a aventurarem-se no abismo da vida.
Conheci pessoas. Criei empatias e sentimentos com pessoas sem vê-las, nem ouvir a voz (naquela época eu não tinha câmera.). Surpreendi-me com o fato de poder criar empatias com alguém sem ouvir a voz, sem ver, sem tocar... Namorei. Fui tachada de louca, pobre coitada, entre outras coisas por pessoas que nem sequer sabem ligar o computador e muito menos entendem as relações humanas virtuais ou presenciais. Mas eu sabia o que sentia e passei a conhecer a vida que se desenrolou a partir disso.
Muitos amigos queridos conheci e mantenho até hoje. Alguns ainda virtuais, outros já presencialmente também. A riqueza dessa rede de amigos novos e/ou reencontrados é que não mais o meu círculo de amizades é restrito à cidade em que moro, mas espalha-se pelo mundo. Tenho amigos no Brasil, na América do Sul, nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália. Amigos com quem converso e interajo quase todos os dias. Encontrei-me novamente com amigos da época do colégio pela internet e posteriormente em encontros agendados com a ajuda da internet. Mágico e adorável. Sem a internet jamais teríamos encontrado colegas de 50 anos atrás. Não só encontrei, mas passamos a interagir como se os 50 anos não houvessem existido.
Conheci um grupo de amigos através do meu blog e do deles. O mesmo país mas estados e cidades diferentes. Marcamos um encontro após um ano de interação pela escrita, pela poesia nos blogs. Foi em São Paulo por ser o ponto mais central do grupo. O que mais surpreendeu a todos foi a familiaridade que havia entre o grupo. A sensação de conhecer as pessoas desde sempre. O prazer de estarmos juntos.