sábado, 31 de outubro de 2009

Tristeza

Este poema dedico a um amigo muito querido!


Momentos alados a fazer redemoinhos e
retrospecção a travestir o (re)conhecer-se!
Momentos de ver, enxergar e entender...

Quereres a chocar-se com a dor de
mágoas profundas e reveladoras!
Quereres de um coração ferido.

Inevitável um acordar do eu refletido
pela imagem que não quer calar...
Inevitável o refazer de outro eu sem culpas!

© Anne M. Moor

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Estranheza


Nuvens - ar feito caraminhola
que basta um raio tortuoso
para esvaírem-se em rugido!

Perceber os meandros dos sentires...
Desisto! Enigmas são que povoam as
nuvens em formas que provocam o refletir!

To be in love or to love...

Eis a questão! Coisas díspares
que buscamos a vida toda sem
dar-nos conta da diferença!

Amo meus filhos...
Amo meus amigos...
Amo minha vida...

Mas...

A emoção de estar apaixonado
É nuvem que ruge! É sol que brilha...
É raio que cruza fronteiras...

© Anne M. Moor

sábado, 24 de outubro de 2009

Eu não sou eu


Eu não sou eu.
Eu sou alguém que caminha a meu lado.
Que permanece em silêncio quando estou falando.
Que perdoa e esquece quando estou irado, esbravejando.
Que segue sereno quando estou aflito, sofrendo.
E que estará de pé quando eu estiver morrendo.
Eu não sou eu.
Eu sou alguém que caminha a meu lado.

by Juan Ramón Jiménez

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Vagalume


Nesta casa passei os dez primeiros anos de minha vida em todas as férias e muitos finais de semana. Casa do meu avô paterno que amava o lugar e ensinou-nos este prazer. Fica a mais ou menos 30 kms de Punta Del Este, perto de Piriápolis e a uma hora de Montevidéu. Quem comprou derrubou todos os eucaliptos da frente da casa. Fica no ar o perfume delas. Caturritas, hóspedes fiéis das árvores infernizavam nossas vidas, mas faziam parte do contexto. Havia, além delas, cachorros, muitos cachorros que seguiam meu avô por toda parte... e vagalumes, tantas luzinhas a piscar e nos encantar. Ai as noites estreladas em que corríamos pelo jardim caçando vagalumes em nossas mãos. A luz piscava nas conchas feitas pelas mãos. Minha irmã e eu, meus primos, amigos... Soltos, corríamos pelo balneário. Outros tempos.

Do meu avô herdei a paixão pela música. Ele tinha um piano enorme de cauda, preta que brilhava e que ele tocava divinamente. Nós, as crianças, sentávamos no chão absortas na melodia que ora vinha do piano, ora da vitrola. Outra minha paixão que também herdei dele, foi a leitura. No andar de cima, entre quartos e banheiros havia um corredor de toda a largura da casa com prateleiras de livros que podíamos ler quando queríamos. Literatura, biografias, poemas, ficção, aventura... Muitos desses livros, hoje, estão em minha casa. Memórias nas histórias, nos poema, nas palavras e letras que se misturam ao cheiro de livros velhos e muito manuseados. Cheiros de minha infância.

© Anne M. Moor
A foto em preto e brano era os fundos da casa onde caçávamos vagalumes :-)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Asas

Sede como os pássaros que,
ao pousarem um instante
sobre ramos muito leves,
sentem-nos ceder,

mas cantam!

Eles sabem que possuem asas.

Dizem que isto é do Victor Hugo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Vidas e escolhas

Ao olhar minhas mãos vejo minha mãe.
Sensação forte de presenças estranhas.
Vêm em mim ações e falas que sempre
lutei contra. Energia do convívio e da herança
é algo a ser refletido.

Enxergar-nos como somos é um exercício
que precisa de mãos alheias
que habitam em nós,
que nos enxergam
que nos amam.

Repetir padrões indesejáveis é
comum, mesmo que achemos
que não as reproduzimos.
Ah, aquele espelho...

Dar-se conta das consequências de
longos anos de história é ler o
livro da vida. Uma vida
cheia de tropeços e acertos

Uma vida vivida!

© Anne M. Moor

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Tal Vez la Mano, en Sueños


Tal vez la mano, en sueños,
del sembrador de estrellas,
hizo sonar la música olvidada
como una nota de la lira inmensa,
y la ola humilde a nuestros labios vino
de unas pocas palabras verdaderas.

by Antonio Machado
in: "Selección Poética" p.50
Imagem: "Sembrador de Estrellas"
Estatua en Kaunas, Lituania.

sábado, 10 de outubro de 2009

Life is but a dream!


Isso é música ou fato?
A vida é feita de sonhos
outra maneira de dizer...
E eu canso de dizer!
Quem sabe para me convencer?

A vida não se explica,
não é pra ser definida!
É pra ser vivida! Com intensidade,
paixão e amor. Se bem que aí
tem outra das perguntas milenares...

Já ouvi que a vida é arte de
desenhar sem usar borracha.
E descubro que é isso mesmo.
Tudo que veio antes passou,
mas ficou em nós.

Somos o que aqui está.
Tropeços, pedradas, tristezas
forças, mangas arregaçadas, alegrias...
Na vida aportamos com uma aptidão -
a de fazer escolhas que, bem ou mal,

fizemos e fazemos.

E isso sempre me lembra do Robert Frost,
poeta que adoro!

© Anne M. Moor

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Liberdade


Isto era liberdade. Liberdade não é uma noitada com um estranho triste em um hotel barato, afogando as memórias com vinho e no sentir das tristezas de outro. Liberdade é estar sozinho enfrentando a si mesmo e não desviar o olhar; liberdade é nadar nu e exultar em um rio gelado ao amanhecer; e é apenas você, só você e ninguém mais para lhe ajudar, lhe segurar e afastar o mal. E você sabe que essa claridade escura não é felicidade nem infelicidade, é algo diferente de qualquer coisa jamais sentida. Assustador como uma faca no coração. Isso é liberdade. É lá que você encontrará seu consolo, sozinho.

Excerpt from “Solace” by Nicci Gerrard
Tradução minha.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Fascinante!


Meio dia!
Anoiteceu repentinamente –
Trovões, relâmpagos, bruxos a brincar
No céu. Nuvens pretas a perambular
Rapidamente frente aos olhos.

Meio dia!
A tormenta a esconder misteriosa
A luz da hora! Movimento e ruídos
Povoaram o momento do sol!
Fascinante cena sombria!

© Anne M. Moor

domingo, 4 de outubro de 2009

Las ramblas de la vida...


Las ramblas de la vida traen
memorias de tiempos idos
memorias de tiempos nuevos
en que (re)conocimos amigos
de corazón, de almas gemelas!

Los eucaliptos que coparon un refugio
relleno de calor humano, de un cariño
descubierto por letras y palabras
exhalan aromas de verano, momentos
de magia de primaveras de nuestras vidas!

Los dias que vinieron trajeron en su íntimo
un sentirse bien,
un sentirse amado
un sentirse protegido
en el abrazo de ser comprendidos!

© Anne M. Moor

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Há momentos...


Há momentos em que quero
Recuperar amores que acabaram
Que foram se apagando como
Uma vela no vento...

Há momentos em que sonho
Com o que foi ou poderia
Ter sido em outro contexto...

Há momentos em que choro
A saudade do que parece ainda ser...

Há momentos em que deixo de pensar...

© Anne M. Moor