segunda-feira, 9 de abril de 2007


ORGASMO TRIFÁSICO, ................ de Millôr Fernandes
Orgasmo feminino é coisa da qual as mulheres entendem muito pouco e os homens, muito menos. Pelo fato de ser uma reação endócrina que se dá sem expelir nada, não apresenta nenhuma prova evidente de que aconteceu ou se foi simulado. Orgasmo masculino não! É aquela coisa que todo mundo vê. Deixa o maior flagrante por onde passa.Diante desse mistério, as investigações continuam e muitas pesquisas são feitas e centenas de livros escritos para esclarecer este gostoso e excitante assunto. Acompanho de perto, aliás, juntinho, este latejante tema. Vi, outro dia, no programa do Jô Soares, uma sexóloga sergipana dando uma entrevista sobre orgasmo feminino. A mulher, que mais parecia a gerente comercial da Walita, falava do corpo como quem apresenta o desempenho de uma nova cafeteira doméstica. Apresentou uma pesquisa que foi feita nos Estados Unidos para medir a descarga elétrica emitida pela "Periquita" na hora do orgasmo, e chegou à incrívelconclusão de que, na hora "H", a perseguida" dispara uma descarga de 250.000 microvolts.Ou seja, cinco "pererecas" juntas ligadas na hora do "aimeudeus!" seriam suficientes para acender uma lâmpada. Uma dúzia, então, é capaz de dar partida num Fusca com a bateria arriada. Uma amiga me contou que está treinando para carregar a bateria do telefone celular. Disse que gozou e, tcham, carregou. É preciso ter cuidado porque isso não é mais "xibiu", é torradeira elétrica! E se der um curto circuito na hora de "virar o zoinho", além de vesgo, a gente sai com mal de Parkinson e com a lingüiça torrada. Pensei: camisinha agora é pouco, tem de mandar encapar na Pirelli ou enrolar com fita isolante. E na hora "H", não tire o tênis nem pise no chão molhado... Pode ser pior! É recomendável, meu amigo, na hora que você for molhar o seu "biscoito" lá na canequinha de sua namorada, perguntar: é 110 ou 220 volts? Se não,meu xará, depois do que essa moça falou lá no Jô, pode dar "ovo frito no café da manhã." Esse país não melhora por absoluta falta de criatividade...São as mulheres, a solução contra o apagão.

domingo, 8 de abril de 2007







Pegando um gancho no Arguta Café, e sendo domingo de Páscoa, além do meu baixo astral ter se evaporado, ...

"A vida é como a música. Deve ser composta de ouvido, com sensibilidade e intuição, nunca por normas rígidas."

Autor: Butler , Samuel

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Comprei o livro - FIO - de Mariza Tavares que o Ernesto indicou... Lindo! Últimas reflexões da noite... emprestado da M.T.

Temperança
As vezes penso que tempo e distância conspiram
a nosso favor.
Cozinham em fogo brando este sentimento
capricham no gosto e no tempero
liberam um buquê inebriante.
Às vezes penso o contrário - quando tenho a certeza
de que inexiste
a possibilidade de um acordo amigável com o tempo.
E me angustio por não poder simples e intensamente
me afogar em você.
Mas chato mesmo é não ter alternativa.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Poesia é a perfeição da alma,
elevação de pensamentos,
profundidade de sensações,
delicadeza de palavras,
luz,
fogo,
música interior ...

(Juan Montalvo)


O importante na vida: busca o que amas
e aprende tudo a esse respeito.
Aposta tua vida no que sabes e foge
do que é seguro, lançando-te de tua montanha,
ao espaço e confiando que o Princípio
do Vôo te alçará, veloz, de um modo
que não se vê com os olhos.
(De: Fugindo do Ninho)


terça-feira, 3 de abril de 2007


Reflexões de uma manhã de chuva mansa...

"O que vejo é sempre mais do que antevejo. Deixa o medo para trás." (Paulo Hecker Filho)

segunda-feira, 2 de abril de 2007

A aula de leitura


A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender.

vai ler nas folhas no chão,
se é outono ou se é verão;

nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;

e no jeito da pessoa,
se trabalha ou se é a-toa;

na cara do lutador,
quando está sentindo dor;

vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;

e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;

e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;

e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;

e também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,

e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,

e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,

vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,

vai ler até nas estrelas
e no som do coração.

Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.

by Ricardo Azevedo

domingo, 1 de abril de 2007

The journey


Inspirada no post do Walmir no O Centauro, um poema que minha avó sempre recitava...


Life is a river
That slowly grows
And gathers strength
As it onward flows
By steep and valley,
hill and lea,
To find at last the eternal sea.

Como cheguei aqui... Final


Confrontada com isso e com minhas incertezas, além do começo do desmoronamento do meu casamento, que levaria dez anos para implodir de vez, eu tomei uma decisão: fazer um curso superior, provando para mim mesma que eu era capaz, que língua portuguesa não era este terror que muitos me diziam e, olhando agora, para fugir de uma situação na minha vida pessoal muito sofrida. E, em 1980, entrei no Curso de Letras da Fundação Universidade do Rio Grande. Era a primeira vez que estudava em português. Sempre fui uma ávida leitora, desde criança, mas essa leitura havia sido em inglês. A única coisa que eu lia em português era o jornal.

Foi ali que eu comecei a gostar de ser professora. Ao longo do meu curso, voltei para a sala de aula do ensino médio como professora. Voltei ou, talvez seja melhor dizer, comecei a ser professora de inglês. O primeiro fato que me aterrorizou ao voltar para a sala de aula foi a constatação de que meus 300 (trezentos) alunos, distribuídos nas três séries do ensino médio, não pensavam e, o que era mais assustador, que eu havia contribuído para esse fato enquanto professora no ensino fundamental – sem nenhuma reflexão havia formado uma massa de não pensantes – pela metodologia descontextualizada e desprovida de significado, que eu usava nas minhas aulas. Definitivamente, foi uma conclusão dolorosa, mas que me impulsionou a procurar as razões e a me apaixonar por educação e ser professora. Demonstrou-me a responsabilidade que temos como professores e a beleza de estar envolvida no crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes outros além dos meus filhos.

Estranhamente, mesmo com um passado de formação em inglês, eu não tive problemas no Curso de Letras. Certamente meu passado de leitora foi responsável por isso. Meus fracassos escolares eram coisas do passado. Foram quatro anos de muito prazer. Formei-me em 1984 em Português e Inglês e respectivas Literaturas e criei muito no possibilitar ambientes diferenciados de aprendizagem no ensino médio, especificamente no ensino de inglês.

Em 1987, já formada e com a implosão definitiva de vinte anos de casamento, voltei a trabalhar no Yázigi – Pelotas, desta vez como professora e coordenadora pedagógica. Ao mesmo tempo, em outubro de 1987, fiz concurso e fui aprovada para professora substituta de Língua Inglesa e Lingüística Aplicada no Curso de Letras da UFPel. Em 1989, fiz concurso para professor efetivo na mesma área. Desde então, tem sido uma constante busca para entender os processos de aquisição e aprendizagem de língua estrangeira e o papel da língua estrangeira na formação das crianças e adolescentes brasileiros na escola básica, além de entender os processos necessários na formação do professor de línguas, objetivo maior dos Cursos de Letras e, sobretudo, compreender o papel da leitura, do texto, da contação de histórias, da poesia, enfim, da linguagem na vida do cidadão.

De 1987-1995, paralelamente à construção profissional, desenrolou-se um crescer pessoal ao terminar de criar meus filhos e garantir um espaço neste mundão de meu Deus para todos nós. Foi desafiador, um momento de reforçar os laços de amizade que havia começado na infância deles, um período para nos conhecermos a fundo e nos amparar mutuamente no sofrimento de uma família desfeita. Vencemos, com cicatrizes profundas, mas certamente vencemos.

De lá pra cá construiu-se um caso de paixão com o fazer diário de formadora de professores de língua. E após muitos anos de docência em diferentes contextos, resolvi me aposentar e continuar apenas com o meu projeto de pesquisa, que é um sonho de muitos anos, uma caminhada de muito trabalho e a descoberta de uma fascinação pela informática. Essa fascinação e a curiosidade por coisas novas me levaram para o estudo e a prática de educação a distância, a partir da minha experiência com o projeto de educação continuada – Banco Multidisciplinar de Textos – carinhosamente conhecido por BMT. Este trabalho projeta o meu gosto incondicional pela leitura, pela beleza da palavra e pela certeza (uma das poucas) de que é através da leitura e do texto que o conhecimento em qualquer área se constrói. É através da leitura que se desenvolvem as idéias, o raciocínio e a paixão de viver.

Sísifo
Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez,
te reconheças...

-MIGUEL TORGA -