segunda-feira, 30 de abril de 2007

Histórias de uma caminhada (2)



Ela era baixinha como eu, magra, de cabelos compridos grisalhos sempre acomodados em um coque coberto por uma rede bem fininha. Sempre bem arrumada em vestido floral, tailleur de cor escura com blusa floral e eternamente de salto alto. Ela era minha avó. O nome dela Elizabeth Mc Culloch. Nós a chamávamos de Granny.

Granny foi uma pessoa genial. Manteve a família unida embora morássemos em países e continentes diferentes. As filhas – minha mãe inclusive – escreviam cartas semanalmente pra ela e ela se encarregava de fazê-las rodar entre todos os irmãos. Assim nos mantivemos juntos. Tanto que ainda hoje 15 anos após a morte dela aos 100 anos, nós, os netos, ainda mantemos contato e quando nos vemos é como se nunca tivéssemos nos separado. Estamos no Brasil, no Uruguai e na Inglaterra.

Nunca levantou a voz e quando alguém reclamava de um de nós Granny costumava dizer:
– É uma fase... Isso passa.
Sempre me lembro dela sentada numa poltrona em frente à lareira fazendo tricô ou lendo e nós correndo a volta dela brincando. Ou então, ela na cozinha e o cheiro inconfundível da comida de vó... Saudades...

domingo, 29 de abril de 2007



Peguei emprestado da Casa do Rubem Alves http://www.rubemalves.com.br/jardim.htm ao passear por lá hoje de manhã, para um reflexão blogosférica dominical.

“Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:
"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta.

"Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso."
(O retorno eterno, p 65).

sábado, 28 de abril de 2007

Aconchego


Eu estava ausente
numa rua distante
e ele passou...
Segurou os meus braços,
conduziu os meus passos,
e eu segui...

Eu estava tremendo,
eu estava chorandoe ele chegou...
Segurou minha cabeça,
afagou minha tristeza,
e eu sorri...

Eu estava vazia
numa casa tão fria
e ele entrou...
Aqueceu meu cantinho
deu-me tanto carinho,
e eu vivi!...
Yedda de Burgos Martins de Azevedo

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Histórias de uma caminhada...(1)


Richard e Derek

A minha infância e adolescência foram povoadas por ordens sem negociação, embora recheadas de um amor e um carinho nas entrelinhas. Meus pais eram de uma cultura e de uma geração em que demonstração de afeto e carinho não tinha lugar.
Por isso, quando nasceram meus filhos eu tinha uma meta específica – a de construir um ambiente de muito amor explícito, de expressão de sentimentos e, principalmente, de amizade e cumplicidade entre eles e eu. Fazia parte dessa construção a negociação de limites, que me foi ensinado por eles. Foram eles que me mostraram que pra dizer ‘não’, eu precisava ter argumentos. Aprendi na marra, especialmente com a minha 3ª filha, que é muito parecida comigo.
O diálogo foi aberto desde o início das vidas de cada um e os assuntos eram e são livres. Isso chocava a minha mãe – tadinha – que ficava horrorizada com o que eu dizia pros meus filhos...
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Era um domingo ensolarado e estávamos na casa dos meus pais fazendo e comendo churrasco, meus filhos, eu e os meus pais. Ficou calor e o Derek, o mais velho, tirou a camiseta. Para minha surpresa ele estava com sua primeira tatuagem no braço esquerdo – um dragão imenso que começava no ombro, fazendo voltas no braço reaparecendo em baixo do cotovelo. Acostumada a dizer as coisas boca afora (!!!), olhei aquilo e disse:
- Creeeeeeeeeeeeeeeeeeeedo meu filho, que horrorrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!! E se o dragão brochar as meninas? Vais ter que transar de camiseta de manga comprida pelo resto da tua vida!!!!
O meu pai rolou de rir. Minha mãe quase morreu e o Derek, levantando as sobrancelhas ao céu, respondeu:
- Não te preocupes, mãezinha, elas gostam...


Isso botou um ponto final no assunto tatuagens, se bem que a cada nova tatuagem que ele e o Richard fizeram (com o dinheiro deles, diga-se de passagem, pq com o meu que não ia ser...) eu tinha mais um “ataque histérico” que não adiantou nada. Hoje são lindos e tatuados, ou seria lindos mas tatuados?????

quarta-feira, 25 de abril de 2007


O dia, hoje, foi uma taça plena,
o dia, hoje, foi a imensa onda,
hoje, foi toda a terra.

Hoje o mar tempestuoso
nos levantou num beijo
tão alto que estremecemos
à luz de um relâmpago
e, atados, descemos
para submergir sem nos desabraçar.

Hoje nossos corpos se fizeram extensos,
cresceram até o limite do mundo
e rolaram fundindo-se
numa só gota
de cera ou meteoro.

Entre nós dois se abriu uma nova porta
e alguém, sem rosto ainda,
ali nos esperava.

De Los versos del Capitán - Pablo Neruda

terça-feira, 24 de abril de 2007

Acalanto do tempo


Permite
que eu fique por perto
sem palavras, em silêncio
aconchegada no peito
da ternura descoberta.

O tempo caminhou muito
e está cansado de andar...

Nas linhas que a vida tece
somos caminhos cruzados
nos entremeios do acaso
que rege o inesperado.

O tempo caminhou muito
e está cansado de andar...

Repousa
teu jeito menino
no ombro do meu carinho

Estende
tuas mãos vigorosas
na direção do horizonte

Conquista
a luz que ressurge
na claridade do céu

Viaja nos braços da noite
na quietude do sono

Deixa
que os sonhos embalem
a alegria desperta
sem pressa, na calmaria
do mútuo bom que acontece
no instante que comporta
a plenitude das horas
no infinito do abraço...

O tempo caminhou muito
e está cansado de andar...

Permite que eu te ame por inteiro
sem palavras, em silêncio
na intensidade do gesto,
acariciando o teu rosto
na imensidão de um celeiro,
que armazena colheitas
de risos e recompensas ...

de um tempo que caminhou muito
e está cansado de andar...

by Maria Alice Estrella

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Poesia
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond http://www.memoriaviva.com.br/drummond/index2.htm

E para acompanhar o Drummond, "A Mi Manera" na versão de Il Divo. E um bom dia a todos!

domingo, 22 de abril de 2007



Reflexões para um domingo de manhã...

A cada dia recolhemos o que aprendemos até aquele momento e deixamos o que é conhecido para trás. Essa penosa separação não é agradável, mas em algum lugar íntimo devemos saber, vagamente, que dizer adeus ao que é seguro traz a única segurança que jamais conheceremos.

De Fugindo do ninho, by Richard Bach

sábado, 21 de abril de 2007

sexta-feira, 20 de abril de 2007

O Amor ...



O amor é uma gota de orvalho pousando em uma pétala de rosa,
uma gota intermitente afogando-se no mar do esquecimento,
um suspiro esperando ser correspondido,
uma lágrima acariciando o rosto de quem amas,
é um grito esperando ser escutado,
um coração esperando ser aquietado,
um raio de luz na imensidão da noite
porém, sobre todas as coisas é o poder gritar que...TE AMO!

by Juan Andrés Leiwir