Durante os últimos anos, tenho falado comigo mesma através da escrita, paixão que explodiu tardia. O escrever-me trouxe no pacote um ver e enxergar, ora surpreendente, ora doloroso, ora cheio de prazer. Vi-me cheia de sonhos e expectativas, alguns possíveis outros improváveis. Aprendi a conviver com os sonhos com menos intensidade e a descartar expectativas que mantinham o sol por detrás de nuvens imensas.
Será que se pode dizer que sabemos o que queremos? Ora uma coisa, ora outra... Nesse vai e vem de vida pululante sei que dividir momentos é sublime. Sei que a vida é um momento atrás do outro – alguns bons, outros nem tanto. Sei que estar junto não necessariamente é estar colado fisicamente. É muito mais que isso. É saber o que se sente pelo modo que se pinta as palavras e que se desenham os anseios. É saber o que o outro quer pelos dardos de significado que emanam de olhos profundos e carinhosos. É saber o desejo pelos gestos do corpo. É aprender a explorar todos os sentidos. É companhia, ora silenciosa, ora tão cheia de som. É saber ficar junto em silêncio em uma concha criada de carinho.









