sábado, 19 de fevereiro de 2011

Vozerio II


Durante os últimos anos, tenho falado comigo mesma através da escrita, paixão que explodiu tardia. O escrever-me trouxe no pacote um ver e enxergar, ora surpreendente, ora doloroso, ora cheio de prazer. Vi-me cheia de sonhos e expectativas, alguns possíveis outros improváveis. Aprendi a conviver com os sonhos com menos intensidade e a descartar expectativas que mantinham o sol por detrás de nuvens imensas.

Será que se pode dizer que sabemos o que queremos? Ora uma coisa, ora outra... Nesse vai e vem de vida pululante sei que dividir momentos é sublime. Sei que a vida é um momento atrás do outro – alguns bons, outros nem tanto. Sei que estar junto não necessariamente é estar colado fisicamente. É muito mais que isso. É saber o que se sente pelo modo que se pinta as palavras e que se desenham os anseios. É saber o que o outro quer pelos dardos de significado que emanam de olhos profundos e carinhosos. É saber o desejo pelos gestos do corpo. É aprender a explorar todos os sentidos. É companhia, ora silenciosa, ora tão cheia de som. É saber ficar junto em silêncio em uma concha criada de carinho.

© Anne M. Moor

Maturidade

O que mesmo que eu queria dizer...?

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Exigências


Exigências me fizeram
Cobranças impostas e
Eu, menina, adolescente
Adulta, mulher, mãe, filha
Segui o caminho dos outros...

Com rebeldia!

Exigente fui comigo mesma
Cobranças fiz ao longo da vida
A mim e aos outros
Até que o sol se fez presente
Sem véus, sem filtros e
A vida se me apresentou
No espelho com uma realidade
Desnudada e provocante!

De repente vi-me frente a
Um espelho questionador
Um ‘outro’ a fitar-me no olho
Com a sobrancelha erguida.

Refletir foi necessário!

© Anne M. Moor

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A mágica da infância


A infância mantém redes presas à vida
origem de caminhadas que gostaríamos
saber para onde foram...

Para saber...

É abrir as asas
É se deixar voejar em voo livre...
É despir o terno e a gravata
É vestir uma bermuda e uma camiseta cômoda
É sorrir para estrelas a piscar

É...

permitir-se ser feliz sem mitos.

© Anne M. Moor

Alamedas


A melodia da vida embala o andar
Sentimentos brincam entre si
E com meu coração!

Tantas vezes deparei-me com
Os dois caminhos do Frost
Uma forquilha a me provocar!

Tomava o que tapado de verde
Chamava-me pela beleza e aroma
Virava as costas ao outro!

Aprendi a ver o outro com olhos
apaixonados da alma e da experiência
Cansei do igual, do ‘seguro’, escolhi
O diferente. Sem arrependimentos!

©Anne M. Moor

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Folhas em movimento


Duelos travestidos em folhas
Movimento ondulante suave
Ou violento de vai e vem
Desenham meu viver

Rebeldia não permite que
A peleja desista no tolerar de
Um marasmo sem graça

Silêncios assopram, assopram
As folhas num provocar
Intenso a me fazer sorrir

Amar em meio a esse avivar
Traz desejos, paz e alegria
Em espirais contraditórios e
Cheios de vida

© Anne M. Moor

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Silêncios consentidos


“Amar é um bom encontro” que
constrói-se em silêncios consentidos
a abraçar o cerne de uma colisão
inesperada.

“Paixões alegres” vêm de reuniões
entre almas independentes e livres
a caminhar de mãos dadas
na força do vento.

Amar é voar nas asas do sentir
em encontros sadios cheios
de prazer e momentos
sem preço.

© Anne M. Moor
Inspirado em http://jorgebichuetti.blogspot.com/2011/02/os-escolhos-do-amor-novelos-e-nos-da.html
Imagem da internet

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Felicidade


Ser feliz é uma escolha.
Não fazer cobranças inúteis uma decisão.
Aprender a enxergar a felicidade em minha vida
como algo interno e meu
tem sido uma caminhada
longa e árdua,
cheia de desvios e tropeços.

by Anne M. Moor (em Redes, trilhas e estrelas - Uma caminhada de vida)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Limites


Quais são nossos limites?
A beira da página?
A dor?
O amor?
A sombra ou a luz?

Tudo aquilo que causa estranheza
E disfarça o olhar sobre o fenômeno
Vem a cutucar nosso pensar de
Incertezas persistentes.

Nossos limites são tênues,
Complexos e brincalhões!
Pontos de vista diferenciados
Tornam o que vemos e sentimos
Uma confusão de ótica!

© Anne M. Moor

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Pular no abismo


Começou naquele dia uma interação que fluía com uma tranquilidade e com a naturalidade de uma amizade de muitos anos. O poder da palavra, a força do escrever, a magia do ler foi nos unindo sem que nos déssemos conta. Em poucos meses éramos amigos inseparáveis. Acompanhamo-nos. Trabalhamos juntos embora separados, sempre muito ligados. Ao terminar o trabalho, ouvíamos música juntos. A união que se formou foi surpreendente e delicioso.

Poetas e professores que somos sempre tivemos e temos como aliado forte o dom da palavra. Palavras que brincam em um mundo de sentires e de verdades. Palavras que são espelhos da alma, dardos certeiros, companheiras ou inimigas. Aprendemos que viver não era aquilo que conhecíamos. Abriram-se horizontes surpreendentes a nos empurrar a fazer mergulhos em um abismo desconhecido. Embora paz e solidão são paradoxos do viver, controvérsias do sonhar e contradições do ser, passamos a entender exatamente o que isso significava.