terça-feira, 10 de maio de 2011

Estranheza


Nuvens - ar feito caraminhola
que basta um raio tortuoso
para esvaírem-se em rugido!

Perceber os meandros dos sentires...
Desisto! Enigmas são que povoam as
nuvens em formas que provocam o refletir!

To be in love or to love...

Eis a questão! Coisas díspares
que buscamos a vida toda sem
dar-nos conta da diferença!

Amo meus filhos...
Amo meus amigos...
Amo minha vida...

Mas...

A emoção de estar apaixonado
É nuvem que ruge! É sol que brilha...
É raio que cruza fronteiras...

© Anne M. Moor

domingo, 8 de maio de 2011

Mãe

Enfim uma mulher que concorda comigo! Eu escrevi um texto "Padecer no Paraíso" em 2008 que está aqui no blog em algum lugar, mas hoje vou compartilhar com vocês um texto da Martha Medeiros que eu adoro!

MÃE É MÃE: MENTIRA (Martha Medeiros)


Vamos esclarecer alguns pontos sobre mães,ok?
Desconstruir alguns mitos.
Não, não precisa se preocupar.
Não é nada ofensivo, eu também sou mãe...e avó!
Vamos lá:

MÃE É MÃE: mentira !!!
Mãe foi mãe, mas já faz um tempão!
Agora mãe é um monte de coisas:
é atleta, atriz, é superstar.
Mãe agora é pediatra, psicóloga, motorista.
Também é cozinheira e lavadeira.
Pode ser política, até ditadora, não tem outro jeito.
Mãe às vezes também é pai.
Sustenta a casa, toma conta de tudo, está jogando um bolão.
Mãe pode ser irmã: empresta roupa, vai a shows de rock
e pra desespero de algumas filhas, entra na briga por um namorado.

Mãe é avó :
moderníssima, antenadíssima, não fica mais em cadeira de balanço,
se quiser também namora, trabalha, adora dançar.
Mãe pode ser destaque de escola de samba, guarda de trânsito, campeã de aeróbica, mergulhadora.
Só não é santa, a não ser que você acredite em milagres.
Mãe já foi mãe, agora é mãe também.

MÃE É UMA SÓ: mentira !!!
Sabe por quê?
Claro que sabe!
Toda criança tem uma avó que participa, dá colo, está lá quando é preciso.
De certa forma, tem duas mães.
Tem aquela moça, a babá, que mima, brinca, cuida.
Uma mãe de reserva, que fica no banco, mas tem seus dias de titular.
E outras mulheres que prestam uma ajuda valiosa.
Uma médica que salva uma vida, uma fisioterapeuta que corrige uma deficiência,
uma advogada que liberta um inocente, todas são um pouco mães.
Até a maga do feminismo, Camille Paglia, que só conheceu instinto maternal por fotografia, admitiu uma vez que lecionar não deixa de ser uma forma de exercer a maternidade.
 certo então, seria dizer: mãe, todos têm pelo menos uma.

SER MÃE É PADECER NO PARAÍSO: mentira!
Que paraíso, cara-pálida?
Paraíso é o Taiti, paraíso é a Grécia, é Bora-Bora, onde crianças não entram.
Cara,estamos falando da vida real, que é ótima muitas vezes, e aborrecida outras tantas, vamos combinar.
Quanto a padecer, é bobagem.
Tem coisas muito piores do que acordar de madrugada no inverno pra amamentar o bebê, trocar a fralda e fazer arrotar.
Por exemplo?
Ficar de madrugada esperando o filho ou filha adolescente voltar da festa na casa de um amigo que você nunca ouviu falar, num sítio que você não tem a mínima idéia de onde fica.
Aí a barra é pesada, pode crer...

MATERNIDADE É A MISSÃO DE TODA MULHER: Mentira !!!
Maternidade não é serviço militar obrigatório, caraca!
Deus nos deu um útero mas o diabo nos deu poder de escolha.
Como já disse o Vinicius: filhos, melhor não tê-los, mas se não tê-los,como sabê-los?
Vinicius era homem e tinha as mesmas dúvidas.
Não tê-los não é o problema, o problema é descartar essa experiência.
Como eu preferi não deixar nada pendente pra a próxima encarnação, vivi e estou vivendo tudo o que eu acho que vale a pena nesta vida mesmo, que é pequena mas tem bastante espaço.
Mas acredito piamente que uma mulher pode perfeitamente ser feliz sem filhos, assim como uma mãe padrão, dessas que têm umas seis crianças na barra da saia, pode ser feliz sem nunca ter conhecido Paris, sem nunca ter mergulhado no Caribe, sem nunca ter lido um poema de Fernando Pessoa.
É difícil, mas acontece.

MAMÃE EU QUERO: VERDADE!
Você pode não querer ser uma, mas não conheço ninguém que não queira a sua.

by Martha Medeiros

terça-feira, 3 de maio de 2011

Rupturas


rupturas inesperadas
as que mais nos levam 
a caminhos resignificantes.

© Anne M. Moor

sábado, 30 de abril de 2011

Faiscar de infinito


Adoro este poema do Carlos Camargo que encontrei nas minhas andanças pela internet... 


Foi um momento de glória, um instante,
um faiscar de infinito.
Um suspiro de tempo, um átimo de vida.
Como começou?
Não senti... não sentistes... não sentimos...
Veio suave como a esperança.
Veio leve como a brisa...
Veio macio como bênção de mãe...
Eu estava aqui... tu vieste dali...
Nos olhamos, nos sentimos, mesmo sem jamais termos nos tocado...
Eu senti a maciez da tua pele,
A doçura de teus lábios, o calor de teus abraços...
Senti sim, não duvides. Sei que acreditarás em mim, pois tu o sabes...
Galgamos juntos o poder do saber amar,
vivemos juntos o nosso momento predestinado.
Sofremos unidos o instante do sublime morrer...
Foi um momento de glória, um instante,
um faiscar de infinito.

Eu sabia... tu sabias...
Nós sabíamos...
Estava ali, entre nós dois, no ar que respirávamos e no olhar que trocávamos...
A beleza fugaz do mundo inteiro, recortado em teus olhos macios...
E foi crescendo, foi crescendo, crescendo como um vagalhão de estrelas...
Tal qual a Sonata de Beethoven, de pianíssimo foi a seu auge,
Sem predestinação, predestinado.
O tempo parou... o mundo acabou...o sonho iniciou...
Foi um momento de glória, um instante,
um faiscar de infinito...

Senti teu peito quebrar dolorido, doendo, sofrendo a sorrir, balbuciando a gritar.
Alguma coisa falou em meus olhos, que gargalharam de tristeza,
Na felicidade do instante...do instante da verdade.
Minhas mãos queimaram ao querer fugir dos grilhões que carregavam...
Então eu saí. Saí do meu invólucro humano e fui cosmo...
Vaguei pela galáxia todinha, espargindo fremir.
Desci ao poço do mundo, buscando brilhantes, esmeraldas, em festa de luz.
Fui pássaro...fui peixe... fui música... fui grito... fui sonho, fui terra e fui ar.
Foi um momento de glória.
Um faiscar de infinito.

Mas depois...depois voltamos
Juntamos nossas vidas esquecidas, nossas esperanças frustradas...
Nossas lágrimas, nossos cigarros queimados, nossos minutos contados.
Voltamos à poluição, ao barulho, à pressa...
Voltamos a correr para o amanhã igual ao ontem...
Voltamos a ser eu... e tu!

by Carlos Camargo

domingo, 24 de abril de 2011

Delírios


escrever é a porta para a liberdade.
ao som do teclar e
o pintar de imagens
fazemos amor com as palavras.

escrever é reinvenção
do idear na vida e
da compreensão
em caminhadas longas.

escrever é ver-se
na pintura dos sonhos
e no delírio do viver.

© Anne M. Moor

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Momentos outros


Ao olhar pelas janelas na minha frente vejo nuvens formando desenhos no céu. Se viro os olhos pra direita vislumbro pedaços de céu azul intercalados no desenho, agora misturado com o mexer das folhas da árvore. Uma grande e frondosa Mimosa da flor amarela. Gosto dessa mistura de elementos que me trazem paz. São parte do que fazem do meu ninho um gostoso lugar. Páscoa está conosco. Um momento espiritual interpretado por cada um. Pra mim um sinal de renascimento. Momento gastronômico de excessos nos cercam :-), mas este ano o chocolate e o bacalhau ficarão nas prateleiras do supermercado! Quando criança, não comíamos bacalhau, pois era proibitivo. Chocolate sim, sempre. Lembranças de duas meninas correndo pelo jardim em busca dos ovos que o coelho havia escondido. Gritos, risadas e o sorriso de carinho da mãe e do pai. Almoço em família na casa da minha avó materna. Muitas crianças correndo e fazendo barulho e meu avô tentando manter a ordem. Depois do almoço, minha avó sentada ao piano e nós todos - crianças e adultos - cantando com ela. Lembranças boas...

domingo, 17 de abril de 2011

Incoerência


Quanto mais velha fico
Mais admiro a coerência
Nas pessoas, enquanto
Busco a mesma coisa
Na vida... ou será no sonho?

Utopia? Querer que quem
Ame saiba agir dentro de
Uma aura de carinho e
Companheirismo na trilha
De palavras, vontades, ações?

Andar por caminhos gostosos

Na coerência das palavras,
Da vontade, do agir,
é o exercício de uma vida,
também incoerente!

Incoerência é precursor de
Uma perplexidade insana
A povoar dias e noites num
Pensar em rodopios de
Incertezas e certezas!

© Anne M. Moor

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O revoar das almas




Burburinhos e tensões revoam
A tentar nos aprisionar...

Sem sucesso!

As águas da crise batem
Em entraves a cultivar
Redemoinhos de energias
Abrigadas!

Emergir do casulo sufocante
É reinvenção do caminho
Em piruetas leves
De vida revigorada

© Anne M. Moor

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Um gesto de carinho...


O meu amigo Jorge Bichuetti do blog Utopia Ativa me deu o grande prazer de me entrevistar e nos proporcionar um papo gostoso sobre assuntos que me encantam - vida, amor e viver. Passem lá para possamos compartilhar o papo com vocês.


grande beijo

Anne

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os sons do amor


Ouvi o portão fechar
Passos na escada
A chave girando na fechadura
Tua risada gostosa
Pois a porta trancou
Como sempre faz.

Ouvi todos –
Os muitos sons
Do amor.

© Anne M. Moor
Poema adaptado de "Homecoming" de Gay Wilson