sábado, 17 de novembro de 2012

A tecnologia e a reinvenção da vida


Sempre fui curiosa e rebelde. Curiosidade que me impulsionou a sempre procurar formas novas de viver. Rebeldia que me incitou a buscar o diferente, a aproveitar as oportunidades que a vida apresentava.

O mundo digital está entre a curiosidade e a rebeldia. Instalou-se e está aqui para ficar, embora muitas pessoas insistam em não aceitar esse inusitado fato. Poderiam me perguntar por que ‘inusitado’ se esse universo existe há tanto tempo. É bom deixar claro que eu me refiro à tecnologia em relações pessoais e não profissionais, nem acadêmicas. As relações entre homens e mulheres, entre pais e filhos, entre amigos, irmãos...  Nos últimos anos o ser humano tem se encontrado em uma teia enredada de solidão, carência e um sentimento de estar perdido. O tradicional nas interações, no emergir de empatias, no sentir simplesmente tem se perturbado com as mudanças sociais. Tantas pessoas na solidão dolorida, na procura de companhias, no buscar de aconchego... Nunca foi tão intensa a busca pelo ‘eu’ e pelo outro!

O uso do computador e a descoberta da internet foram, para mim, uma festa. Gosto de viver, adoro gente, tenho imenso prazer em conhecer pessoas novas, enfim, de me relacionar.  A minha incursão neste mundo mágico foi aos poucos. Comecei pelo acadêmico, mas logo a seguir o pessoal e social começou a me atiçar. Os sites de relacionamentos me pareciam algo perigoso – medos surgiram. Mas a curiosidade nata me fez explorar e abriu-se um mundo surpreendentemente fascinante aos meus olhos. Cadastrei-me no primeiro, ainda com uma mistura de medo e vergonha. Comecei a conhecer pessoas diferentes. Uma realidade estrondosa apresentou-se – milhares de homens e mulheres de minha idade solitários, procurando companhia, amizade, papo. Foi um início.

O mundo digital tem desacomodado de várias maneiras a sociedade nas últimas décadas.  As relações pessoais passaram a contar com formas diferentes e não tradicionais de interação, empatia, encanto e, por que não, de amor. Formas essas pouco aceitas por pessoas avessas a mudanças, a coisas novas, a aventurarem-se no abismo da vida.

Conheci pessoas. Criei empatias e sentimentos com pessoas sem vê-las, nem ouvir a voz (naquela época eu não tinha câmera.). Surpreendi-me com o fato de poder criar empatias com alguém sem ouvir a voz, sem ver, sem tocar... Namorei. Fui tachada de louca, pobre coitada, entre outras coisas por pessoas que nem sequer sabem ligar o computador e muito menos entendem as relações humanas virtuais nem presenciais. Mas eu sabia o que sentia e passei a enxergar a vida que se desenrolou, a partir de outra ótica.

Muitos amigos queridos conheci e mantenho até hoje. Alguns ainda virtuais, outros transformados em presenciais pelos encontros que aconteceram. A riqueza dessa rede de amigos novos e/ou reencontrados é que não mais o meu círculo de amizades é restrito à cidade em que moro, mas espalha-se pelo mundo. Tenho amigos no Brasil, na América do Sul, nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália. Amigos com quem converso e interajo quase todos os dias. Encontrei-me novamente pela internet com amigos da época do colégio e posteriormente em encontros agendados com a ajuda da internet. Mágico e adorável. Sem a internet jamais teríamos encontrado colegas de 57 anos atrás. Não só encontrei, mas passamos a interagir como se esses anos não houvessem passado.

Conheci um grupo de amigos através do meu blog e do deles. O mesmo país, mas estados e cidades diferentes. Marcamos um encontro após um ano de interação pela escrita, pela poesia nos blogs. Foi nesta época que comecei a escrever. O encontro aconteceu em São Paulo por ser o ponto mais central do grupo. O que mais surpreendeu a todos foi a familiaridade que havia entre o grupo. A sensação de conhecer as pessoas desde sempre. O prazer de estarmos juntos. 

Isso tudo começou pela escrita na internet. 

© Anne M. Moor

sábado, 10 de novembro de 2012

O rodopiar da vida



Formas exóticas em um cenário paradisíaco
Lembram meandros de vida a espiralar no fluxo
Do movimento sinuoso que embala sentimentos.
Anseios pulam de uma borda a outra dos
Instantes ocultos a provocar passos
Imagináveis de uma dança sensual.

© Anne M. Moor

domingo, 4 de novembro de 2012

Momentos nas entrelinhas de uma vida



Flores, pedras e cantos
Lembram de outros tempos
Em que cheiros, toques e música
Perpassavam pela vida com os avós
Memórias nostálgicas e gostosas
Que trazem à mente jardins,
Árvores, maçãs e vagalumes...

© Anne M. Moor

domingo, 28 de outubro de 2012

Na diversidade ...



Mesmo sabendo que somos diferentes
vez por outra as caraminholas dançam
uma rumba no meu peito que irrefletido
levanta o tom querendo cair em cobranças!

Êta emoções descontroladas e tolas
amor não se enxerga na presença, ainda
que na ausência sinta-se na alma
é só 'escutar'...

© Anne M. Moor

domingo, 21 de outubro de 2012

Presença na ausência



Sentimento incomum
De cumplicidade e bem estar
Vem incluso no bojo de ser amigos.

Momentos repletos de silêncios
Em um significar sem palavras
Que afaga a alma e o coração.

Momentos de conversas descontraídas
E desconectadas a pipocar
Em aparente incoerência.

É compreender sentidos de vida
Pelo olhar, pela voz,
Pela linguagem do corpo.

Amigos são os que sem cobranças
Apresentam-se do outro lado do espelho
A dar-nos paz, sossego e companheirismo.

© Anne M. Moor

sábado, 20 de outubro de 2012

O hoje ...

"(...) se tememos o amanhã, é porque não sabemos construir o presente e, quando não sabemos construir o presente, contamos que amanhã saberemos e nos ferramos, orque amanhã acaba sempre por se tornar hoje, não é mesmo?"

by Muriel Barbery in "A elegância do ouriço".

sexta-feira, 19 de outubro de 2012


Estive afastada do meu blog um tempo, juntando os neurônios rsrsrsrsrs. Voltei pra ficar, ler, delirar, poetar e me encontrar com meus amigos. Pra começar quero restaurar as conversas amigas.

Conversas

familiaridades surgem
intimidade e bem-estar despontam
assuntos brotam
lembranças pipocam
curiosidades aportam
num vai e vem desordenado
num saber-se querido
num querer-se abraçar

© Anne M. Moor - 2008

terça-feira, 24 de julho de 2012

Ando por aqui...

Meu blog anda um tanto parado... Acho que o FB está tomando conta :-)

Não sei mais nem colocar uma imagem :-(

bj

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Exigências


Exigências me fizeram
Cobranças impostas e
Eu, menina, adolescente
Adulta, mulher, mãe, filha
Segui o caminho dos outros...

Com rebeldia!

Exigente fui comigo mesma
Cobranças fiz ao longo da vida
A mim e aos outros
Até que o sol se fez presente
Sem véus, sem filtros e
A vida se me apresentou
No espelho com uma realidade
Desnudada e provocante!

De repente vi-me frente a
Um espelho questionador
Um ‘outro’ a fitar-me no olho
Com a sobrancelha erguida.

Refletir foi necessário!

© Anne M. Moor

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Flores


Flor, tropo seguidamente utilizado
Com significados múltiplos, apresenta
pétalas entrelaçadas e simétricas
Com um centro, cerne do sentido.
Algumas escondem a essência como
As tulipas a incendiar-nos com cores vibrantes.
Outras mostram o coração em
Franca exposição de sentires expostos
Como as gérberas com suas cores vivas
E pétalas formando um conjunto uno
A proteger a profundeza do ser.

© Anne M. Moor