terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Consciência

Dedico este poema a um homem que amei muito e que perdeu a luta contra o vício...



A dor do vício é latejante e espraiadora,
varrendo personalidades, esperanças, ilusões, vidas,
amores, desestruturando famílias e redes sociais,
provocando torpor na sua passagem,
como um vendaval com vontade própria!

O vício tem formas difusas, mas certeiras!
Começa de mansinho, achegando-se despercebido.
Dança ao som da vontade irracional e
crava as garras na jugular do desafortunado,
Que não enxerga as conseqüências.

“Paro quando quero” é o tom dado, enquanto
vai-se a confiança, a auto-estima, os neurônios.
Instalam-se os achaques e as mazelas,
detonando com a saúde e o respeito próprio.

Na esteira descontrolada da degradação
tombam famílias inteiras ao som da
retirada silenciosa dos ‘amigos’...

Fica uma experiência de vida dolorosa
ao ver as pessoas amadas desmanchadas.

Tantas vidas ceifadas e machucadas pela bebida!

© Anne M. Moor – 04/02/2008

23 comentários:

Flavio Ferrari disse...

Se os anjos não disseram, digo eu: Amém.

ANA disse...

Esto del acohol y otras drogas es un terrible problema en todo el mundo.
Aquí niños apenas con 13 años se reunen los fines de semana con el único propósito de emborracharse y perder por algún rato el pudor y algo más, por diversión o qué sé yo!
Tengo pánico, tengo dos hijos de 10 y 12 años y es un abismo el que se me abre delante, en un futuro próximo. Dios quiera que esas garras no se hundan en sus yugulares.
Un beso de Miércoles,
ana

Jorge Lemos disse...

Pungente, doloroso, triste a
realidade do vivio que domina:
"crava as garras na jugular dos desafortunados"
deixando seres próximos abandonados.

Uma realidade que nos ronda: o liquido turvo das distilarias,
o pó maldito na porta das escolas,
a erva podre que destrói crianças,
a fraqueza humana que mergulha
insana.

Salve-nos Deus destas misérias.

Anne M. Moor disse...

Flávio: já disse TANTAS vezes...

Ana: la unica arma contra esso és tu firmeza perante tus princípios y valores como ejemplo para tus hijos y, especialmente, no tener miedo de decir un NO bien redondo cuando és necessário. Todo lo que se pierde con el alcohol no tiene vuelta! Mis 4 hijos sufrieron mucho pero entendieron dos cosas muy importantes: la culpa NO era de ellos y a cuidarse pues que alcoholismo és hereditário!

Jorge: As vezes Ele tem lá suas razões pra nos fazer passar por 'estas coisas' - razões que provavelmente nunca entenderemos...

disse...

Anne,
Beleza e poesia a serviço da humanidade.
E que imagem apropriada e significativa...
Bjo

Anne M. Moor disse...

É Lú... A imagem traduz exatamente o que acontece com o viciado(a) e as pessoas a sua volta...

Clarisse Milano disse...

Anne: infelizmente esta é uma luta q jamais irá acabar. A dependência assim q dominada se apresentará mais perigosa para q seja vencida a cada dia e assim uma após outra irão surgindo, sem cessar. O ânimo, o apoio, a força e a paciência são aliadas e é no amor q os encontrarás. Muito real este texto. Tanto sofrimento exposto em poesia, quisera eu q fosse apenas ficção... Força com amor!

Anne M. Moor disse...

Clarisse you are a dear! Já passou... Escrevi agora por que estava há muito tempo pra fazer isso, mas a dor e o sofrimento já se foram ou, pelo menos, foram equacionados e se tornaram companheiros de paz...
Beijão

Anne M. Moor disse...

Na realidade eu queria MUITO que as pessoas se dessem conta quanto sofrimento isso traz e que pode ser evitado!!

Ernesto Dias Jr. disse...

Oxalá não tenha eu que escrever um dia um poema pelas razões que te levaram a este.
Solidário contigo, Anne. Solidário pra xuxu.

Angela disse...

Experiência dolorosa. Experiência que gostaria de não ter vivido. A dor permanece.

Anne M. Moor disse...

Ernesto querido, também espero! Mas, como tu bem sabes, o escrever a vida ajuda a entendê-la melhor e de lambuja, se ajudar os outros melhor ainda...
Beijos solidários...

Sugiro a leitura de um texto que escrevi chamado Pontes http://anne-lifeliving.blogspot.com/2007/09/pontes.html

Anne M. Moor disse...

Angela: A dor me acompanhou por mais ou menos 15 anos, até que a deixei seguir seu curso... Escrevi um texto sobre isso:
http://anne-lifeliving.blogspot.com/2007/09/pontes.html
Beijos compreensivos

Udi disse...

Anne, Anne!
Perdi uma amiga queridíssima há exatos 26 dias... a dor foi tamanha que sequer consegui compatilhar com vocês... mas parece que um anjo te soprou no ouvido. Acho que vou te enviar um email.
beijo!

Anne M. Moor disse...

Manda Udi... Sinto muitíssimo...
Beijossssssssss

Jennifer M. W. da Silveira disse...

É uma experiência muito dolorosa, mas com o passar dos anos essa dor vai passando e fica uma lembrança nada agradável do que aconteceu, mas a vida continua.
Beijos

Anne M. Moor disse...

É filha, experiências da vida que nem sempre conseguimos equacionar...
Beijo grande querida

Anônimo disse...

O retrato da auto destruição e da interiorização do sofrimento e da solidão. Foi se fechando, fechando, fechando até acabar. E ao mesmo tempo um coração tão grande que não cabia.....
Quanta estupidez!!!!
Derek

Anne M. Moor disse...

Filhão!
Nem é estupidez o que acontece, nem é estupidez o que disseste aqui! Aliás, resumiste a situação de uma maneira perfeiiiiiiiiiiiiiiiita... Estupidez é não enxergarmos isso. E a forma do poema foi proposital, pra fazer exatamente o que disseste.
Sabes, me escrever, a minha / nossa caminhada tem me ajudado um monte a entender e aceitar...
Beijo imenso... Te amo muito.
Mum

Udi disse...

"E ao mesmo tempo um coração tão grande que não cabia..."

Juntando com meu comentário anterior, entendo muuuuito isso que o Derek diz sobre o coração grande!
Será um padrão de comportamento desses corações que não cabem?

grande beijo, Anne!

Anne M. Moor disse...

É Udi, é estranho isso - coração grande, emoção a flor da pele, razão dizendo uma coisa, e a pessoa se negando a enxergar e/ou aceitar... Triste, mas vemos isso tantas vezes...

Adilson - Rio de Janeiro - Brazil disse...

Oi Anne ... vim ler seu escrito ... lindo real e sofrido ... bjos sempre em seu coração

Anne disse...

Obrigada Adilson!

Muita dor sim, especialmente vendo meus filhos sofrerem, mas todos nós já ultrapassamos essa fase.

beijão
Anne