quarta-feira, 28 de março de 2007

Outro tipo de mulher nua

Recebi isto hoje e gostei... Compartilhando...

Depois da invenção do photoshop, até a mais insignificante das criaturas
vira uma deusa, basta uns retoquezinhos, aqui e ali.
Nunca vi tanta mulher nua.
Os sites da internet renovam semanalmente seu estoque de gatas vertiginosas.
O que não falta é candidata para tirar a roupa. Dá uma grana boa.
E o namorado apóia, o pai fica orgulhoso, a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam, então pudor pra quê? Não sei se os homens estão radiantes com esta multiplicação de peitos e bundas. Infelizes não devem estar, mas duvido que algo que se tornou tão banal ainda enfeitice os que têm mais de 14 anos.
Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade...emocionalmente. Nudez pode ter um significado diferente e muito mais intenso. É assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história. É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.
Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos. Aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humanas, e não bonecas de porcelana.
Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais.
Pouco tempo atrás, posar nua ainda era uma excentricidade das artistas, lembro que esperava-se com ansiedade a revista que traria um ensaio de Dina Sfat,por exemplo - pra citar uma mulher que sempre teve mais o que mostrar além do próprio corpo.
Mas agora não há mais charme nem suspense, estamos na era das mulheres coisificadas, que posam nuas porque consideram um degrau na carreira. Até é. Na maioria das vezes, rumo à decadência. Escadas servem para descer também.
Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior. Mas é o que devemos continuar fazendo. Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro. Não conheço strip-tease mais sedutor.

17 comentários:

Amanda Arthur disse...

Não tem como discordar. Mas tem o outro lado da moeda também: dar ao povo o que o povo quer.
Porque quer, é outra história...
PS: Curiosa para ver os comentários masculinos.

Udi disse...

Anne, mais uma confidência só aqui entre nós: tenho uma filha que está com 23 anos. Pulando todo o histórico que poderia soar como uma defesa da decisão que ela tomou: aos 18 anos ela posou nua para um ensaio fotográfico para a revista Trip ("oh! mas Trip é legal, a Trip não é a VIP"). Nada disso muda o quadro de toda a carga que está bem colocada no seu texto deste post e, vale dizer, ela não teve apoio de namorado, e muito menos do pai (incrível como um discurso cai por terra quando se trata de alguém de dentro de casa "sangue de seu sangue"!)
Lembro que a única pessoa a quem ela pediu uma opinião foi a minha.
A única coisa que eu disse foi: "sabe que os caras podem pegar a revista e levar pro banheiro? está preparada?" e ela entendeu que,como sempre, eu não arredaria pé do lado dela.
Passado todo o pandemônio que renderia uma boa crônica para meu futuro blog, conversando com o Flavio sobre o assunto e contando a ele como ela me havia descrito toda a experiência da sessão de fotos, etc. ele me saiu com a seguinte frase: "ela gostou de fazer o que fez". E então eu entendi.

Anne M. Moor disse...

É Udi... como mãe a gente tende a querer proteger, mas a melhor proteção é ensiná-los a lidar com as suas escolhas e estarmos SEMPRE com eles...

Flavio Ferrari disse...

Well, já passei um pouco dos 14. Não gosto mais de mulher pelada. Agora aprecio o nú feminino.
Por outro lado, na primeira vez em que estive em uma praia de nudismo descobri que a parte mais divertida era, justamente, o despir. Mas o depois também era bastante tolerável.

ps - não comprei a revista da filha da Udi (tinha esgotado)

Lú. disse...

Acho linda a nudez, seja de que tipo for.Nudez é exposição (da alma também), é descomplicação, é beleza plástica(a beleza da imperfeiçao -reverência pra Zeca Baleiro),e não consigo me contaminar(ainda bem) pela reificaçao do corpo. O nú sempre me emociona, vejo nele entrega , partilha e arte.

Anne M. Moor disse...

Está nascendo outra poeta... Lú, lindo. Quando visto assim dá outra dimensão.

Maria disse...

Já dizia minha avó Sarita, a nudez feminina é belissima o que pode ser feio é o gesto.

Flavio Ferrari disse...

É melhor o Ernesto voltar logo ...

Ernesto Dias Jr. disse...

Pronto, parceiro! Tô aqui!
Olha:
Qualquer despir-se carrega emoção. Até da roupa. Mas o bom mesmo, é o que vem depois da peladice, seja ela qual for: a cumplicidade, o haver compartilhado.

A propósito: Já fui também do tempo de gostar de mulher pelada (concordo, Flavio) e, por increça que parível, eu lembro dessa revista da Ítala Nandi. Chamava-se Fairplay. O ensaio foi numa praia. Na edição seguinte, Bete Faria em frente à lareira. Nuelinha em pêlo. Ah! a adolescência... Não sei como cabiam todas atrás da coluna da pia do banheiro, enroladinhas em torno do cano, junto com um maço de Continantal sem filtro...

Udi disse...

ôpa! entramos em um novo momento dos recuerdos: saímos da fase das balinhas e marias-chiquinhas para a dos cigarros e revistas masculinas.
Meninas, os garotos viam Fairplay... e nós? Capricho?

Ernesto Dias Jr. disse...

Capricho sim. E as vetustinhas como eu lembrar-se-ão de Sandro Moretti nas fotonovelas italianas. Minha prima suspirava pela casa inteira e não precisava esconder no banheiro.

Ernesto Dias Jr. disse...

Flavio:
Sou irrecuperável. Mesoclisei de novo.

Anne M. Moor disse...

Só Capricho Udi???????????? Tbm tinham as que escondíamos, não no banheiro, pq lá todo mundo achava e queimaríamos no fogo do inferno sem perdão!!!!!!!!!!!!!!!

Udi disse...

Noooossa! Capricho também vinha com fotonovela... mas não lembro os nomes das que eram só de fotonovelas. Que memória, Ernesto! Até o nome do galã.
Delícia lembrar como sonhávamos com tão pouco! Imaginem contar pros filhos que eu lia fotonovelas...

Anne, mais uma confidência: acho que eu era completamente careta! Nunca tive uma dessas de ler escondido! O máximo que fazia era dar umas espiadelas nuns Henry Miller que tinha na estante de um tio intelectual.

Ernesto Dias Jr. disse...

Henry Miller? Que luxo! Não podia ler: não tinha espaço na minha biblioteca no banheiro. Cabia, quando muito, uma Adelaide Carraro...

Flavio Ferrari disse...

Ernesto: és um mesoclista...
Eu também lia as fotonovelas da Capricho e da Grande Hotel ...

Udi disse...

Grande Hotel! ...estou lembrando até do estilo das letras. E a minha mãe lia Querida.

Ernesto, luxo seria se eu pudesse entender o cara naquela época.