sábado, 5 de maio de 2007


Fecundação

Teus olhos me olham
longamente,
imperiosamente...
de dentro deles teu amor me espia.

Teus olhos me olham numa tortura
de alma que quer ser corpo,
de criação que anseia ser criatura

Tua mão contém a minha
de momento a momento:
é uma ave aflita
meu pensamento
na tua mão.

Nada me dizes,
porém entra-me a carne a persuasão
de que teus dedos criam raízes
na minha mão.

Teu olhar abre os braços,
de longe,
à forma inquieta de meu ser;
abre os braços e enlaça-me toda a alma.

Tem teu mórbido olhar
penetrações supremas
e sinto, por senti-lo, tal prazer,
há nos meus poros tal palpitação,
que me vem a ilusão
de que se vai abrindo
do meu corpo
em poemas.

Gilka Machado

3 comentários:

Walmir Lima disse...

No ato - Essa poesia só pode ter sido escrita por mãos ainda trêmulas pelo que acabaram de sentir...; tamanha precisão!

Luisa Fernanda disse...

Quizás una de las cosas mas lindas es amarse con las manos

Amanda Arthur disse...

Amar em suas várias formas... Concondo com Walmir e Luisa, preciso e falando de um amar bonito.