quarta-feira, 18 de julho de 2007

Até quando...??????

Até quando vamos aturar a incompetência impune e reinante neste país? Por muito, muito menos botamos um presidente pra correr! Não acho, Ti, que seja cultural não. Lembro-me bem de manifestações, 'rebeldias' sadias, levantes com razão que conseguiram mudar algumas coisas. ONDE ao longo do caminho nos últimos anos o povo grudou a bunda na cadeira??? Até quando vamos ficar quietos?
Desculpem o desabafo, mas estou horrorizada e arrasada com esta última tragédia. E talvez eu esteja tão arrasada por que essa rota era uma que eu e colegas/amigos fazíamos semanalmente há bem pouco tempo. Talvez por que tenho filhos que seguidamente estão voando, saindo e chegando de e em Congonhas... O fato é que estou... perplexa pode ser uma boa palavra...



9 comentários:

Marcia disse...

Pois é...
Anne é isso q talvez falte para o povo reagir....se colocar no lugar do outro...pensar q poderia ter acontecido com um de seus filhos ou amigos... mas eles apenas falam: Ufa!!! ainda bem q não estavam lá...
Acho q não é questão cultural...a questão é q hoje o importante sou eu e os meus...os outros q se f...

É! disse...

Pois é, Ann, questionei isso outro dia no Imagine Transformar...
Onde está aquela gana de mudar o mundo?? Está nos bolsos dos nossos políticos!
Se hoje nos preocupamos apenas com nós mesmos é por culpa deles, que roubam nosso dinheiro que tanto suamos pra ganhar. Por isso não nos sobra tempo para tentar mudar o Brasil, pois se pararmos 1 dia, será 1 dia a menos de $$ = 1 dia a mais no atraso do aluguel e por aí vai...
Mas não acho que a gente deva se conformar com isso, não!
Só não sei por onde começar...

Lucas Ninno disse...

Olá Anne...

Tambem fiquei um tanto abalado com o acidente em congonhas...

Mas o que me deixa mais indignado é ver a reação das pessoas e da mídia...
Repare só, de acordo com dados da UNESCO, uma média de 104 pessoas são assassinadas todos os dias no Brasil, a maioria delas, moram nas periferias, e são de famílias de baixa renda. (simples coincidência?)

Mas por incrível que pareça, as pessoas não ficam perplexas, como você disse com estes outros números. Isso me parece acontecer por se tratar de uma realidade muito distante da nossa, o que faz com que a gente pense que é menos importante, menos trágico.
Como diz aquela música que ta no meu blog "Classe Média": Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta.

É importante repensarmos estas questões, e o nosso posicionamento diante dos fatos e do sensacionalismo gerado por acidente como este.

Não acho que os problemas vão ser resolvidos fazendo um impeachment. Se não fosse o Lula, seria o alckmin, o Serra, o FHC entre outros.

O que eu penso é que temos que parar de discutir, discutir e fazer careta de assustado e ter a coragem de tomar decisões para EFETIVAR a mudança que tanto queremos...

repito de novo o que já escrevi aqui uma vez:

"A nossa indignação é uma mosca sem asas
Não ultrapassa as janelas de nossas casas"

abraços

Anne M. Moor disse...

Muito bem dito Lucas... É isso mesmo que eu penso. A indignação é com a situação toda no Brasil atual e a falta de consciência de TODOS com isso...

Flavio Ferrari disse...

Anne: lamento mas concordo com a Ti. É cultural sim. A ética estética cai como uma luva para nós brasileiros.
E, lamento novamente, mas toda essa indignação momentânea só acontece porque a mídia nos disse que precisamos nos indignar com isso.
Se o fato fosse noticiado como uma nota de rodapé no estadão a reação seria: "puxa, que triste". E nossa atenção estaria voltada para a notícia maior da primeira página.
Digo isso sem rancor ou juizo de valor.
Apenas constato que é assim.

Anne M. Moor disse...

Será Flávio? Acho que não é bem assim não...

Flavio Ferrari disse...

E ninguém se escandalizou ...

"A morte de um paciente do hospital Psiquiátrico Raul Soares, no dia 9, poderia ter sido evitada, segundo a diretora da Associação Sindical dos Trabalhadores dos hospitais de Minas Gerais (Asthemg), Mônica Abreu. O interno Luiz Ramalho, de 75 anos, que vivia na unidade de saúde há 46 anos, foi estrangulado e teve o órgão genital dilacerado por um outro interno, Josué Freire da Silva, que tem distúrbios em função de dependência química. Segundo o relatório do hospital que a Asthemg teve acesso e divulgou à imprensa, a vítima já vinha sendo agredida pelo acusado dois dias antes do crime, por causa de cigarros, e a entidade não tomou providências, como isolar o agressor." (Diário da Tarde/MG - 19/06/2007)

Flavio Ferrari disse...

E ninguém se indignou 2:

(trecho de um e-mail que recebi hoje de uma amiga, comentando o que aconteceu quando levou sua mãe no Hospital do Câncer em SP)

Marquei hora com antecedência para uma radioterapia (paga), conforme havia sido recomendado pelos médicos do Pró Cardíaco do Rio de Janeiro. Levei minha mãe com balão de oxigênio, enfermeira, eu, minha filha, etc. (ELA TINHA UMA TRAQUEOSTOMIA) cadeira de roda, motorista e tudo que eu podia
fazer para tornar a situação da minha mãe mais confortável.

Sabem o que aconteceu?:

Fui atendida com três horas de atraso. O que aconteceu depois de três horas?
- Me disseram que o câncer de pulmão que minha mãe tinha era terminal (...eu já sabia, o médico do Rio que havia me encaminhado para o raditerapeuta em SP já havia diagnosticado por escrito)
- Me disseram que eles não aceitavam pacientes do INSS, só continuavam com os muito antigos proque não havia jeito, mas só estavam aceitando pacientes
de alguns convênios particulares
- Me cobraram R$ 2.000,00 para fazxer a radioterapia, e cerca de R$ 1.500,00 para cobrir despesas de oxigêno, pois eles tinham demorado tanto com o atendimento marcado que extinguiu o balão de oxigênio que tínhamos levado e
foi preciso conectar o cateter da traqueostomia da minha mãe com a torneira do oxigênio do hospital. LITERALMENTE IMPLOREI por um desconto, mas não deu, ou era isso, ou minha mãe perderia a oprtunidade de morrer
diganamente...

Anne M. Moor disse...

Meu querido!!! Mas é isso mesmo que eu estou dizendo... É mais um e mais um e mais um, mas poucas pessoas fazem o que deveria ser feito... Por não saber o que fazer (educação), por medo de represálias..., por um sentimento de impotência pq todo mundo a tua volta te diz: "não vale a pena". Eu acabei, 5 anos atrás, com um médico me levando pra justiça pq não quis ser açoitada deitada... Perdi em pé, mas ele perdeu financeiramente e teve sua imagem de médico deus bem arranhada. E vários outros exemplos... Muitas vezes não fiz e não faço nada, sei lá pq... E é esse 'sei lá pq' que temos que discutir.
O Brasil está no ralo em todas as esferas. Na esfera educacional eu assisto todos os dias pq é minha e grito todos os dias com a esperança que possa contagiar outras pessoas e que juntos possamos algum dia chegar a um lugar melhor. Por isso que gosto muito de pessoinhas como Rodrigo, teu filho, e Lucas, filho da Angela...