terça-feira, 8 de julho de 2008

Descobertas

Nos anos 80 em Rio Grande, uma amiga e eu abrimos uma creche para auxiliar as mulheres que trabalham e não têm com quem deixar os filhos pequenos. Ela tomava conta do lado administrativo, enquanto eu do pedagógico. Além disso, no turno da tarde, eu cuidava dos nenês pequenos, entre 3 meses e um ano. Sempre amei crianças.

Foi um período mágico. Cinco pessoazinhas sob meus cuidados. Ficava sentada no chão junto com eles em uma peça grande e arejada, com um colchonete cobrindo mais da metade do espaço. Era ali que ficavam os nenês. E eu. Colo, carinho, mamadeira, papinha, fralda. Mas o mais formidável – presenciei a primeira vez que cada um viu a mão, o pezinho, a primeira vez que se viraram debruço sozinhos, a primeira gargalhada e conseqüente olhar de surpresa... Cada descoberta no desenrolar de suas vidinhas. Quando temos nossos próprios filhos, não temos tempo de ficar horas sentadas olhando pra eles sem fazer outra coisa, e com isso perdemos muitos momentos especiais na vida deles. Recuperei esse tempo com os filhos dos outros.

Certa vez, Leandro, um bebezão de 10 meses, estava engatinhando pela sala e se levantou apoiado num balanço perto da Débora, uma meninha miudinha de cabelinhos encaracolados. Eu a observar, quieta... De repente, Leandro soltou-se do balanço e ficou parado sozinho. Ao se dar conta que estava em pé sozinho, agarrou-se na primeira coisa que estava à mão – os cabelos da Débora! Obviamente ela gritou. O olhar de surpresa do Leandro foi genial. Ele olhou para baixo e repentinamente surgiu um sorriso no rosto de orelha a orelha e ele puxou os cabelos dela novamente e ela gritou novamente! Descoberta – “se eu puxar os cabelos dela, ela grita.” – tadinha da Débora. Em seguida, tirei o ‘bandido’ de perto e peguei a Débora no colo. Esse episódio e outros tantos fizeram daquele ano um ano revelador!

© Anne M. Moor

8 comentários:

Ernesto Dias Jr. disse...

Aprendizado é uma coisa excitante! A primeira vez que fiz uma menina gritar... Bem, gostei de repetir a experiencia muitas vezes, mas isso é uma outra estória que fica para uma outra vez.

Anne M. Moor disse...

Hahahahahahahahahahaha Ernesto meu amigo querido!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Este menininho estava ensaiando pra chegar lá. :-)
Beijão

Jorge Lemos disse...

O mesmo espirito dos homens das cavernas. As conquistas pelo cabelo.

Anne amiga:
Vá ao meu bolg e, por favor, atenda o meu pedido.

Anne M. Moor disse...

Jorge,
O instinto humano é algo incrível! Já estou indo...
Beijão :-)

Clarisse disse...

eis o dom exercido na prática! emocionante te 'ler' pondo em pratica todo este amor! e esse gurizinho rendeu-me boas risadas!!! bjos de superação!

Amanda Arthur disse...

Lembrei o quanto tenho me perguntado sobre o que posso estar perdendo das descobertas do Théo por não estar tão disponível para acompanhá-lo integralmente... Mas, sabe? Aprendi a vibrar com a primeira vez que ele faz algo na minha presença...
Por outro lado, tem momentos que só a mãe ou os pais vivem, como a sensação de reconfortar seu filho numa noite insone por um dentinho que machuca para sair. Nisso estou nessa semana, um pouco zumbi, confesso, mas feliz por viver cada etapa, cada momento com meu pequeno.
Beijo Anne e boa semana!

Anne M. Moor disse...

Amanda e Clarisse,
Ver crianças crescerem, sejam eles nossos ou dos outros é uma prática fascinante!!!
Beijos

Érica disse...

que delicinha!!!!