quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Casulo


Durante anos um casulo abrigou-me
escondida no seu interior confortável
protegida do mundo e de mim mesma,
que chorava internamente perdas e culpas!

As âncoras abriram seus braços,
sairam do ninho procurando seu vôo,
raízes bem fincadas, dando-lhes apoio.
Levaram meu capulho...

Liberta, bati as asas e saí ao mundo.
Abri portas e comportas pra deixar entrar ar e vida.
Vi-me em movimento na busca do meu norte.

Reconheci-me mulher novamente,
Soltei-me das amarras e abri os braços...
Perdoei-me nem sei do quê! Vivo!

© Anne M. Moor – 31/01/2008
Imagem: “Casulo” – catedral.weblog.com.pt

25 comentários:

Flavio Ferrari disse...

E porque é que você posta poesia dos outros se as suas são melhores, hein ?
Linda!

Walmir Lima disse...

Esse foi o melhor comentário que o Flávio já fez.
Sem mais ou melhores palavras, endosso, assino embaixo, pois tudo foi dito.
Obrigado, Flávio, obrigado Anne.
Essa é pra guardar, bem cuidada e ler, e reler.. e reler.
Bem a propósito, no ano da borboleta, ou retratando um bichinho da seda e seu nobre, lindo e valioso produto.
Teu retrato.
Um beijo

A.Tapadinhas disse...

É isso, aí! Coisas lindas saem do casulo! "Perdoei-me nem sei do quê! Vivo!", é uma frase que vale um poema. Muita gente transporta consigo o pecado original... vá lá saber-se porquê...
Beijo, sem pecado.
António

Angela disse...

Anne,
O casulo pode ser mais confortável, mas não se compara à descoberta do "calafrio" proporcionado pelo vôo.
Lindo poema!

Endosso o comentário do Flávio!
Bjo

Anne M. Moor disse...

Flávio: Por que nunca achei que podia fazer isso!! Obrigada dear friend! Se tem uma coisa para que servem estes nossos blogs, é de vez em quando voltar ao início e reler nossos escrito e ver como melhoramos, como mudamos... Interessante isso...

Anne M. Moor disse...

Walmir: O escrever me ajuda a me decifrar... A gente vai se decifrando ao longo da vida... E são os baques que nos fazem parar pra nos olhar no espelho e enxergar... Quando comecei a blogar, achei que ler era minha paixão grande, mas descobri que escrever é uma paixão tão grande qto o ler... Quando leio o que escrevo, me surpreendo com as interpretações da minha vida que vão aparecendo.
Beijo grande

Anne M. Moor disse...

António:
Acho que nunca vamos saber o porquê! Sofremos anos nos culpando pelas coisas mais absurdas. O importante é conseguir entender isso e amar mais a nós mesmos...
Beijo sem culpa :-)

Anne M. Moor disse...

Angela: o 'calafrio' do vôo é a renovação da vida...
Beijão

disse...

Âncoras, casulo, raizes e vôos.
Inspira, faz pensar, dá um post...
Esse seu ficou MASSA.
Bjao.

Udi disse...

Uau! E eu vim, atraída pelo título que li lá no Assertiva... nem imagina que seria surpreendida por um poeta teu.
Maravilhoso! Aguardo o próximo.

Anne M. Moor disse...

Obrigada Lú e Udi! Estou adorando escrever poesia...

ANA disse...

Anne, no puedo estar más de acuerdo con lo que le comentaste a Walmir:
"Quando leio o que escrevo, me surpreendo com as interpretações da minha vida que vão aparecendo. "
He pensado esto tantas veces!
No sabes como me siento de cerca de tus pensamientos, a veces me sorprende,
serás mi angel guía, que marcando un camino, facilita el mio?
un gran abrazo,
ana.

Clarisse Milano disse...

Anne! esta pergunta q o Flavio Ferrari fez já passou inumeras vezes pela minha mente. Teus poemas são lindos e emocionantes. Identifiquei-me com mais este. Adorei!

Anne M. Moor disse...

Ana: Gracias tanto! Yo no canso de sorprenderme con esas interpretaciones que brotan al escribir... No me veo como angel :-), pero las empatias existen y las relaciones de otras vidas también! Y las empatias son las que nos juntan mismo que en continentes diferentes... Interesante eso...
Beso grande

Anne M. Moor disse...

Clarisse: escrever é algo que aprendi que sei fazer não faz muito tempo! Escrever academicamente sei que sei há muito tempo. Agora poetar e escrever por simples prazer sobre a vida - em geral e a minha - é algo que brotou ao ensinar aos meus alunos que QUALQUER UM pode escrever... É deixar-se levar pelo sentimento com um lápis, caneta ou um teclado na mão... :-)
Beijos

Anne M. Moor disse...

A todos!
Vocês não têm idéia o quanto as palavras de vocês me envaidecem, me deixam feliz e me fazem bemmmmmmmmmmmmmmmmmmm... Ler criticamente o outro é bem mais fácil do que se ler analiticamente... Estou adorando escrever e como disse a Clarisse (não deixem de ir no blog dela), o meu poetar surgiu de algo que venho ensinando aos meus alunos, de que qualquer um pode, é só se deixar... Mas ainda me surpreendo com o que escrevo e quando leio me pergunto: será que fui eu mesma que escreveu?
Beijos inspirados

ANA disse...

Voy a tomar esa sopa de beterraba, a ver si me inspiro tanto y tan bien,
un abrazo,
ana

vittorio disse...

Existem pessoas que transformam o mundo em algo melhor através da sua singeleza.
És uma ave rara que nos brinda com o encanto de teus versos, com o contar dos teus dias a nos fazer sentir como a vida é bela.
teus versos refletem tua alma, linda, alegre e solta.
Grato pelo teu comentário no blog do mestre Jorge, espero que possamos contar com a tua presença em eventos próximos, para poder ouvir os teus poemas e aprender com a tua sabedoria.

beijos de um eterno aprendiz

Ernesto Dias Jr. disse...

Um pé na frente do outro, um pé na frente do outro...
É que nem andar.
Um sentimento atrás do outro, uma emoção atrás da outra, uma palavra atrás da outra...

Anne M. Moor disse...

Vittorio e Ernesto:
Beijos aos dois. Vcs são uns queridos!

Anne M. Moor disse...

Ana, te vá gustar mucho la sopa :-)

Jorge Lemos disse...

O que faz a vida? Dar, no hora certa, a transposição em busca do perfeito.
Dai toda nossa admiração e respeito pela leveza do texto envolta em poesia.

Anne M. Moor disse...

Jorge... me deixas sem palavras...
Abraço apertado

ANA disse...

ciertamente Anne estoy empezando a creer en que nada en por casualidad. Bueno ya lo pensaba antes, pero cosas como la de ayer me lo confirman.
Se acercó a mi una señorita a la entrada del supermercado y me regaló una cajita de crema de remolacha, y cuando le di las gracias me fijé en su nombre, que llevaba escrito en el uniforme,
sabes como se llamaba?
Ane,
casualidad o algo más?
besos de domingo,
ana.

Anne M. Moor disse...

Aiiiiiiiiiiiiiiiiii Ana!! That's eerie!!! O como diria Lú, KARACA!!
Coincidencias no existen... Entonces debe ser "algo más"...
Un domingo pensante...
Besos de além... :-)