segunda-feira, 31 de maio de 2010

As labaredas do aconchego

O frio chegou. Ao terminar uma semana muito cheia sento-me aqui com minha companheira - a gata - e a lareira. O fogo encanta os olhos. As labaredas em um hipnotizar terapeutico a aquecer o corpo e a casa. Um certo cheiro de fumaça enche meu cantinho. Pelas janelas vê-se nuvens cinzas. Vento a farfalhar as folhas das árvores. O chiar do ventar nos pagos do sul fazem música de um ninar diferente. Sopra como um dragão enfurecido pelo corredor do condomínio. O crispar das chamas se contrapõe ao uivar do vento formando uma sinfonia de inverno e de aconchego. Frio na rua e calor na alma traz sentires gostosos. Lembranças de momentos deliciosos guardados nos coração. Paz instaurada. Leitura concretizada. Escrita solta. Amor faz-se com as palavras.

© Anne M. Moor (Coincidentemente, escrevi isto em 31/05/2009)

sábado, 29 de maio de 2010

Preguiça
















Preguiça traz um sentir gostoso
Moleza em um pós almoço
Que toma conta do corpo.

Lassidão, irmã da preguiça,
Acompanha-nos pós soninho
Espichada no sofá.

Sentir-se entregue aos sonhos
De corpo e alma com um
Fundo musical delicioso...

É tudo de bom!


© 2010 Anne M. Moor

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Amor ou carência?

Amor resume em parvos os seres:

Que querem o impossível
Que desejam o inatingível
Que veem, mas fecham os olhos

O que é isto que nos tira o agir?

© 2010 Anne M. Moor

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Insônia

Será que a insônia é defesa ou fuga? Dia com jeito de parafuso enlouquecido. Chega a noite, em casa aconchegada entre minhas ‘coisas’, redemoinhos de um repensar sobre o que estava a acontecer deixou-me inquieta, cansada, chateada. Resolvi dormir para esquecer. Afinal, eu estava com sono. Deitei-me, desliguei a TV e o PC, apaguei a luz, fechei os olhos e... Nada! Virei de costas, de lado, do outro lado, debruço e o parafuso aloucado ficava martelando na minha cabeça. Levantei. Fui à cozinha. Por que será que toda vez que estou angustiada quero comer? Abro a geladeira, lembro de mim 22 quilos mais gorda, fecho a geladeira e tomo um copo de água. Volto pra cama. Ligo a TV. Nada me atrai. Recomeçou o virar e revirar na cama a tentar aquietar o demônio que anda em círculos na minha cabeça. Consigo? Não sei, mas o sono toma conta e apago num sono agitado. Como foi bom acordar e ver o sol na janela!
 
© 2010 Anne M. Moor

terça-feira, 25 de maio de 2010

Poetando


Jorram de minhas veias
Palavras perdidas
Pensamentos, idéias
Vontades contidas

Soltam-se as letras
Confusas emoções
Alegrias dispersas
Em turbilhões

Palpitam no peito
Esperanças escritas
E a torto ou direito
Ganham vida

Aos poucos tomam forma
Sem saber sua valia
E assim se transformam
Em poesia...

*Do livro Conversando com as Estrelas - copyright by Angela Bretãs
http://www.angelabretas.com/poesia039.htm

sábado, 22 de maio de 2010

Um pouco mais de Drummond...


Poesia
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.


Carlos Drummond de Andrade

© Graña Drummond

sábado, 15 de maio de 2010

O nascer de uma manhã


Abro os olhos, espio pela janela,
Vejo uma névoa prolixa a dançar
nas fendas da persiana molhada
Neste amanhecer.

O sol está a se mostrar por entre
A bruma densa da manhã e
Parece estar com preguiça
De aparecer.

Parece estar a piscar
Por entre as folhas da palmeira
Com ares de poetar e reforçar
O silêncio da inspiração.


© Anne M. Moor

terça-feira, 11 de maio de 2010

Tempo e tempos


Nuvens a correr para um lado
Empurradas pelo sopro do vento
Que do sul vem com força
Chuva que corre de lado
A atrapalhar caminhadas
Sol que espia entre negrumes
Esparsos desenhados no céu
Um dia de quereres
Como outro qualquer

© Anne M. Moor

sábado, 8 de maio de 2010

Padecer no paraíso

O post no Arguta lembrou-me de um texto que escrevi em 2008 e que trago para vocês nesta época de homenagens às mães...

Dizem que ser mãe é padecer no paraíso. Ser mãe NÃO é sofrer, ser mãe é felicidade, mesmo que as vezes seja preocupação. Lembro muito bem olhar nos olhos do meu primeiro filho quando o colocaram em meus braços e, embora meio fechadinhos, fez um ‘click’ entre nós que perdura até hoje. E assim foi com todos os quatro. Olhares diferentes, cada um, mas fortemente ligados como se fosse pelo cordão umbilical. A felicidade que irradia pelo corpo todo é ímpar e certamente compartilhada com os pais. Ser mãe é dedicação e muito trabalho braçal no início, mas também é muita canção de ninar, muito aconchego, muito cheirar a cria, muito simplesmente sentar com eles no colo e os observar – observar o milagre da vida. A medida que eles vão crescendo, ser mãe passa a ser saber ter paciência, saber guiar, saber impor limites e principalmente saber dizer não. É chorar de desespero, mas é chorar junto de alegria. É saber desligar o canal para deixá-los viverem suas vidas. É ficar olhando eles se esborracharem no chão e aprender a levantarem-se sozinhos, se bem que com uma mãozinha levemente escondida. É saber ser mãe, mas principalmente amiga nas horas boas e nas horas ruins. É saber aceitar que eles têm ideias diferentes das nossas, é aprender com eles. É compartilhar vidas. É entender que a vida é feita de fases e eles têm de passar por todas e que nós não podemos viver a vida deles por eles. Ser mãe é estar presente, mesmo não estando, em silêncio. Enfim, ser mãe é viver, é compartilhar, é dividir, é carinho e muito amor.


© Anne M. Moor - 2008

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Colaboração

Juntar-se em grupos pequenos ou grandes
Em um vai e vem de reflexões diversas
Proporciona um crescimento compartilhado
Em um aprender enriquecido.

Colaboração abre portas
Colaboração inter-relaciona ideias
Colaboração proporciona o aprender
Colaboração assusta...

Por que?

© Anne M. Moor

domingo, 2 de maio de 2010

Mistérios da vida


Foto da minha infância em Montevidéu
Vivo, vivi e revivi
Voltas dei em mundo interior
Voltas deram longe de mim
Água moveu-se
Em direções diversas
Redemoinhos surgiram
Águas paradas intercaladas
A acalmar o coração.
Do nada eis que surge
O vivido em roupagem nova
A acenar ainda do longe

Mistérios da vida!


© Anne M. Moor